A ArtRio chega à sua 15ª edição, de 10 a 14 de setembro, em clima de transição. Desde março, a feira está sob a gestão da Dream Factory, empresa de entretenimento do grupo Dreamers, de Duda Magalhães. Mas, como explica a diretora artística Maria Luz Bridger, o momento não foi de rupturas: “Quando assumi, a seleção de galerias e curadores já estava definida. Optamos por manter o formato, preservando a confiança conquistada junto às galerias. A grande mudança, este ano, está na experiência do público e dos expositores”, conta.
De acordo com ela, a feira aposta em melhorias de infraestrutura, comparáveis às grandes mostras internacionais. Um restaurante estruturado substitui os tradicionais food trucks, garantindo mais conforto aos visitantes e melhores condições para os galeristas. Outro foco é o acesso: a organização negocia com a Prefeitura do Rio para reduzir gargalos no entorno da Marina da Glória, incluindo transporte alternativo e parcerias com estacionamentos próximos.
Outro avanço é a exigência de projetos de acessibilidade para todas as instituições participantes — desde obras táteis até materiais em braile e vídeos em libras. Programas sociais também ganham espaço, com destaque para o Elabora Social, voltado para mulheres empreendedoras que produzem joias autorais.
O design aparece como novo campo de expansão, com a Galeria 42 apresentando um “apartamento modernista” que combina arte e mobiliário.
Alguns destaques curatoriais
Nos programas curatoriais, Adhemar Brito repete a curadoria do Solo, enquanto Paula Borghi assume o Brasil Contemporâneo. Entre os destaques, estão Os Gêmeos, com participação em conversa aberta ao público; a artista nascida no Japão, Asuka Ogawa, representada pela Galeria Nara Roesler; e o designer-artista Hugo França, que apresentará esculturas espalhadas pelas áreas externas da feira. A tapeçaria e o trabalho manual aparecem como forte tendência, dialogando com produções recentes de nomes como Beatriz Milhazes.
O Jardim de Esculturas terá obras do mexicano Jose Dávila, de Antonio Bokel, Peu Mello e outros artistas, embora, segundo Luz, o desafio da produção de peças de grande porte exija negociações diretas com galerias.
Internacionalização e parcerias
A feira aproveita a proximidade com a Bienal de São Paulo para atrair curadores e colecionadores estrangeiros. Instituições como Tate, Guggenheim e MOCA confirmaram presença em roteiro que inclui São Paulo, Inhotim e Rio. “Nosso foco é que as galerias terminem a feira com vontade de voltar. Para isso, precisamos consolidar o Rio como um destino cultural”, afirma Luz.
Arte digital e inteligência artificial
A ArtRio já discute novas frentes na arte digital. Uma parceria com a Pinacoteca de São Paulo traz um programa de vídeoarte ao ar livre, exibido no palco externo da feira. Além disso, a possibilidade de integrar a inteligência artificial em debates e performances surge como aposta para as próximas edições.
ArtRio além da Marina
Pela primeira vez, a feira se conecta de forma estruturada à cidade, lançando a Semana de Arte e Cultura no Rio (de 7 a 14 de setembro), em parceria com a Prefeitura. Um jornal impresso e vans gratuitas vão divulgar e circular entre museus, centros culturais e ateliês, com exposições, performances, música e dança, transformando a capital fluminense em polo de programação artística integrada.
À noite, a ArtRio descentraliza as festas, que passam a ocupar espaços como o Solar dos Abacaxis e a Galeria A Gentil Carioca, em formato mais democrático e urbano.
Com todas as galerias vendidas, dois espaços portugueses entre as 65 participantes e 17 instituições confirmadas, a ArtRio reforça seu papel como plataforma de mercado e cultura. A expectativa é receber milhares de visitantes e, sobretudo, consolidar a ideia de que arte também pode transformar a cidade. “Cultura traz segurança, iluminação, vida para o espaço público. É isso que queremos ampliar com a ArtRio”, conclui Maria Luz.