O homem preso por ameaçar de morte Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, é investigado por forjar um mandado de prisão contra o influenciador após o vídeo-denúncia dele sobre “adultização”. A Polícia Civil de São Paulo afirmou em nota que o Núcleo de Observação de Análise Digital (Noad) atua para identificar outros crimes cometidos por Cayo Lucas Rodrigues dos Santos.
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O mandado de prisão forjado contra Felca foi revelado pelo Metrópoles e confirmado pelo GLOBO. Um levantamento do Noad apontou que Cayo Lucas emitiu um malote digital para requerer a expedição, “com inserção no BNMP” (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões), de um mandado de prisão preventiva contra Felca, “para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a segurança das vítimas”. A detenção seria devida a supostos “crimes contra a dignidade sexual de menores”. O documento forjado determinava que a polícia fosse notificada “imediatamente” para prender o influenciador.
Ao Metrópoles, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) disse que o grupo de Cayo Lucas tentou acessar o BNMP, mas que “não houve invasão tampouco qualquer inserção de documentos no sistema”.
Cayo Lucas e a outra pessoa que foi presa com ele numa residência em Olinda, na segunda-feira, tinham “conhecimento avançado” de informática e acesso a bancos de dados da polícia e do Judiciário. Segundo os investigadores, com essas credenciais os suspeitos conseguiam obter informações sigilosas e até emitir mandados de busca e apreensão contra possíveis vítimas.
O delegado Guilherme Caselli, de São Paulo, informou que o acesso foi obtido de forma ilegal em grupos no Telegram. Os suspeitos cobravam valores “consideráveis” pelas informações privilegiada, ele disse, que eram vendidas na internet. A Polícia Civil agora investigará quem comprava esses dados.
Cayo Lucas é apontado pelo delegado como autor de parte das ameaças contra Felca, influenciador que na semana passada denunciou a “adultização” de crianças na internet.
Além das ameaças, Cayo também será investigado por integrar um grupo que comercializava material infantil. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, foi taxativo com relação ao crime, mas o delegado responsável ponderou que a apuração ainda está em fase inicial.
— Há a possibilidade de ele integrar uma estrutura que atua, via (o aplicativo de mensagens) Discord , na exploração sexual de crianças e adolescentes por meio de desafios. Isso ainda está na fase embrionária, será submetido a perícia e certamente terá desdobramentos — disse Caselli em coletiva de imprensa.
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O outro preso é identificado como Paulo Vinícius. Segundo o delegado Euronides Meneses, de Pernambuco, ele foi encontrado ao lado de Cayo com o computador aberto e logado no sistema da Secretaria de Segurança Pública do estado.
— O equipamento estava acessando o sistema da Polícia de Pernambuco, com login e senha válidos, além de outras credenciais. Eles admitiram ter adquirido os acessos em grupos no Telegram e foram autuados em flagrante por invasão de dispositivo informático. Um deles confessou que tinha acesso a sistemas de todas as polícias do Brasil e até do Poder Judiciário, conseguindo incluir informações falsas em mandados de prisão contra inimigos do grupo — relatou Meneses.
Felca, que tem recebido ameaças desde a publicação do vídeo, há duas semanas, obteve uma decisão favorável da Justiça de São Paulo para a quebra de sigilo de um usuário que o ameaçou de morte. A determinação deu ao Google o prazo de 24h para a identificação do autor de e-mails que diziam que influenciador “pagaria com a vida” por ter exposto a atuação de Hytalo Santos, preso este mês por acusações de exploração sexual de menores na internet.
A equipe jurídica do influenciador, coordenada pelo escritório Senzi Advocacia, pontuou em nota que as prisões desta segunda-feira não tem haver com essa ameaça em específico, mas que foram obra do trabalho do Núcleo de Observação e Análise Digital da polícia de São Paulo.
“A prisão decorre do excepcional trabalho desenvolvido pelo NOAD/PCSP, que identificou os autores do e-mail contendo ameaças contra o influenciador e pessoas do seu entorno que auxiliaram no vídeo ‘adultização'”, escreveu. “Parabenizamos e agradecemos as autoridades públicas por manterem os canais de comunicação abertos com esta equipe jurídica” destacou o comunicado do escritório de advocacia.
“As diligências foram realizadas em dois endereços previamente identificados na cidade de Olinda (PE). Em uma das residências, o investigado foi localizado e preso. No momento da abordagem, ele estava acompanhado de outro indivíduo, que também foi conduzido à delegacia por estar em situação de flagrante delito, conforme previsto no artigo 154-A do Código Penal (invasão de dispositivo informático). Durante a ação, os policiais encontraram o computador do alvo em uso”, informou a SSP em nota.
Polícia Civil de São Paulo prende homem acusado de fazer ameaças ao youtuber Felca
De acordo com a pasta a polícia apura crimes de ameaça, perseguição e associação criminosa praticados em ambiente virtual. “As investigações prosseguem, visando à adoção das medidas legais cabíveis”, pontuou.
2025-08-27 08:31:00