Xadrez no Intercolegial: jovens talentos se enfrentam em partidas acirradas

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O Sesc Nova Iguaçu recebeu, neste final de semana, o xadrez do 43º Intercolegial, com partidas acirradas disputadas por mais de 500 jovens talentos de diferentes escolas do estado do Rio de Janeiro. O torneio destacou não apenas os vencedores, mas também o papel do esporte como ferramenta de aprendizado e desenvolvimento pessoal. Os confrontos femininos aconteceram no sábado (23) e os masculinos no domingo (24). O Intercolegial é uma realização do jornal O GLOBO, com apresentação do Sesc-RJ e apoio da Caixa.
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A modalidade é uma das que mais crescem e tem longa tradição no torneio. Este ano, as disputas foram divididas nas categorias sub-13, sub-15 e sub-18 não federada, além de sub-18 livre masculino e feminino. As partidas são jogadas no sistema suíço, que não tem mata-mata. Todos os participantes permanecem até o fim e enfrentam adversários com pontuações semelhantes. Com o número elevado de inscritos, foram realizadas de seis a sete rodadas para cada categoria.
Um dos destaques foi a tetracampeã Rafaela Martins, de 16 anos, aluna da unidade de Nilópolis da Santa Mônica Rede de Ensino, na Baixada Fluminense. Moradora de Mesquita, a atleta começou a jogar xadrez durante a pandemia, em 2020, e conquistou a primeira vitória no Intercolegial na sua estreia, em 2022, representando a Escola Municipal Monteiro Lobato. Desde então, garantiu medalhas de ouro em 2023 e 2024 e, neste ano, voltou a vencer a categoria sub‑18 federada feminino, seguida por Sophia Magalhães, do Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Martin Luther King, e Karla Luiza de Oliveira, também do Santa Mônica Rede de Ensino.
—Jogo desde os 11 anos. Me apaixonei por esse esporte, e hoje estou aqui, representando a escola e pensando em novos rumos. Já representei o Rio de Janeiro em competições nacionais e estou tentando me classificar para o mundial — contou Rafaela, demonstrando a ambição e a dedicação que a tornaram referência entre as jovens enxadristas.
Rafaela Martins, da Santa Mônica Rede de Ensino, conquistou o tetracampeonato no xadrez do Intercolegial
Acervo pessoal
Na categoria sub‑18 não federada feminino, o pódio foi composto por Jeniffer Lins, da Escola Técnica Estadual (ETE) Oscar Tenório, em primeiro lugar; Ludmila Cristina dos Santos, do Instituto Federal do Rio de janeiro (IFRJ), em segundo; e Ana Beatriz Ferreira, do GEO Nelson Prudêncio, em terceiro. Entre as categorias mais jovens, na sub‑15 não federada venceu Lívia de Sousa, do GEO Juan Antônio Samaranch, seguida por Vitória da Costa, do GEO Martin Luther King, e Priscila Henrique Lopes, do mesmo colégio. Na sub‑13 não federada, o título ficou com Júlia Brasil, da ETE Visconde de Mauá, enquanto Gabriela de Oliveira, da Rede Santa Mônica de Ensino, e Ana Clara Labarba, do GEO Nelson Prudêncio, ficaram em segundo e terceiro, respectivamente.
— Comecei a jogar xadrez quando entrei para a Faetec, há pouco mais de dois anos. Já participei de três campeonatos. Ano passado fiquei em quinto lugar no Intercolegial e este ano fiquei em primeiro, além de conseguir o terceiro lugar no regional e no estadual no Jerj. Fico feliz quando estou jogando. É como se o meu mundo virasse o jogo e tudo parasse em volta. Xadrez é uma adrenalina que só quem joga consegue entender — contou Júlia Brasil, que estuda na ETE Oscar Tenório, unidade da Faetec em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio.
Entre os meninos, Daniel dos Santos, de 18 anos, do Colégio Estadual São Cristóvão, em Queimados, na Baixada, brilhou na categoria sub‑18 federada masculino, seguido por Otavio De Souza, em segundo, e Guilherme de Moura, em terceiro, ambos da Santa Mônica Rede de Ensino. Em sua trajetória, Daniel lembrou que começou a jogar xadrez no início do ensino médio, há cerca de três anos, e que este é seu segundo ano como federado.
— O xadrez melhorou muito meu desenvolvimento na escola. Aumenta o foco e a memória. Penso em continuar competindo e cada vez mais melhorar — disse, celebrando sua primeira vitória no Intercolegial, em seu último ano de participação.
Na categoria sub‑18 não federada masculino, Isac Felipe Marcolino, do Colégio Pedro II, garantiu o primeiro lugar, com Pedro Lucca Ramos, também do Pedro II, em segundo, e João Pedro Tavares, da ETE Oscar Tenório, em terceiro. A categoria sub‑15 não federada masculino teve Vitor Davi Rosas, do Colégio Pedro II, como campeão, seguido por Daniel Avelino, do GEO Félix Miéli Venerando, e Kauã Luis Dias, da Escola Municipal Jornalista Carlos Castelo Branco. Já na sub‑13 não federado masculino, Daniel Mello, do GEO Dr. Sócrates, ficou em primeiro, seguido por Bernardo Bernardino, do GEO Martin Luther King, e Kayo Lucas Pereira, da Santa Mônica Rede de Ensino.
Garantindo sete xeques-mates, Vitor Davi Rosas, do Colégio Pedro II, estreou no Intercolegial com vitória.
— Comecei a jogar xadrez há um ano, foi uma descoberta muito legal. Essa foi a minha primeira vez no Intercolegial e foi bem mágico, gostei muito. Na primeira já conquistei o primeiro lugar e pretendo seguir. Acho que dá uma autoestima a mais, dá confiança para continuar, para querer mais experiências — afirmou o jovem de 14 anos, aluno do Pedro II do Centro do Rio.
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Trabalho em equipe reconhecido
O torneio também teve destaque por equipes. A escola municipal GEO Martin Luther King, da Praça Bandeira, Zona Norte do Rio, foi uma das que mais conquistaram medalhas de ouro por equipe, garantindo o primeiro lugar na sub-13 e na sub-15 feminino e na sub-15 masculino. Ao serem questionados sobre o significado do xadrez, todos os integrantes da equipe responderam ao mesmo tempo: “esperança”. O professor de educação física Daniel Matos explicou que a modalidade vai além do esporte.
— Não é por xadrez que a gente faz xadrez, é porque a nossa intenção é que os alunos saiam do 9º ano com bolsa em escola particular, que passem para universidade pública e prosperem na vida. Aqui já temos olheiros e algumas propostas de bolsa para alguns alunos. Nossa ideia inicial é a ascensão social — afirmou, destacando a importância do xadrez como ferramenta de desenvolvimento humano.
Na premiação por equipes femininas, a Santa Mônica Rede de Ensino conquistou o primeiro lugar na categoria sub-18 federada, o GEO Martin Luther King ficou em segundo e o Zerohum em terceiro. Na sub-18 não federada, a equipe campeã foi do Instituto Loide Martha, com Santa Mônica em segundo e IFRJ em terceiro. Na sub-15, o primeiro lugar foi para o GEO Martin Luther King, o segundo para Loide Martha e o terceiro para o GEO Juan Antônio Samaranch. As equipes que mais se destacaram na sub-13 foram as do Martin Luther King, seguidas por Educandário Luz do Saber e GEO Doutor Sócrates.
No masculino, a equipe do Santa Mônica também ficou em primeiro lugar na categoria sub-18 federada, com o IFRJ em segundo e a escola Brigadeiro Newton Braga em terceiro. As equipes sub-18 não federadas que mais se destacaram foram asdo Colégio Pedro II, em primeiro, Sesi Maracanã, em segundo, e IFRJ, em terceiro. As equipes sub-15 premiadas foram as do GEO Martins Luther King, em primeiro, Santa Mônica, em segundo, e Colégio Estadual São Cristóvão, em terceiro. No sub-13 masculino, o GEO Dr. Sócrates ficou em primeiro, com a Escola Municipal Jornalista Carlos Castelo Branco em segundo e o Santa Mônica em terceiro.
Próximas disputas
O último sábado marcou a estreia do basquete no Intercolegial, no Sesc Ramos, na Zona Norte do Rio. Ao todo, 24 colégios se inscreveram no basquete, com 32 equipes, 20 masculinas e 12 femininas. A programação prevê oito jogos por rodada: as próximas serão no sábado que vem (30) e nos dias 13 e 20 de setembro. Nesta retomada, o torneio terá ainda disputas de judô, tênis de mesa, badminton, natação, handebol, vôlei, atletismo e vôlei de praia. As inscrições nominais do judô terminam no dia 27, e cada colégio poderá inscrever no máximo dois atletas por categoria de peso, em cada faixa etária, no masculino e no feminino. Já as competições de atletismo serão no Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, dia 23 de novembro.
InterSolidário
Além das competições esportivas, o Intercolegial mantém sua vertente social com o Intersolidário, que abriu inscrições na segunda-feira passada. Até a apuração final, marcada para 28 de novembro, as escolas participantes arrecadarão alimentos, roupas e brinquedos para instituições parceiras.



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