A Gangue do Rolex, que atua no Rio e em São Paulo, atacou ontem, em plena luz do dia, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul. Um homem em uma moto roubada bateu com uma arma na janela do Porsche do empresário Júnior Duarte e exigiu que ele entregasse o relógio e o telefone. Um policial militar à paisana, que estava no carro logo atrás, desceu e atirou contra o criminoso, atingido por dois disparos. Lucas Gustavo de Jesus, de 31 anos, está internado sob custódia no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Natural de São Paulo, ele foi condenado a nove anos de prisão na capital paulista pelo mesmo tipo de crime, em 2023.
- Felipe Sousa-Lazaballet: Brasileiro eleito deputado nos EUA vendia bolos na escola e, ainda menino, cobrava prefeito de Duque de Caxias
- Filho de diarista, brasileiro eleito na Flórida vendia bolos na escola para comprar material de estudo
A vítima da tentativa de assalto é proprietária do Grupo Bauru, que reúne 14 restaurantes no Rio. A rede nasceu de uma pequena lanchonete em Caxias, em 2009. Conhecido como Júnior Bauru, Duarte começou a vida profissional fazendo entregas de moto. Além da atuação empresarial, ele compartilha nas redes sociais os bastidores de sua rotina e acumula mais de 255 mil seguidores no Instagram.
Em entrevista ao GLOBO, o empresário relatou que só se deu conta do risco de ser baleado quando o criminoso bateu na janela do Porsche, avaliado em R$ 1 milhão, com o dedo já no gatilho. Segundo ele, o assaltante chegou a encostar o revólver em sua cabeça:
— Do nada, vem uma porrada no vidro. Era um motoqueiro sozinho, com roupa aparentemente de motoboy, mandando eu entregar o relógio e o telefone, e batendo com arma e o dedo no gatilho. Eu me desesperei. Pensei que, a qualquer momento, se ele batesse de novo, poderia disparar e me dar um tiro na cabeça. Abri o vidro e, quando eu estava tentando entregar, ele ficou nervoso também porque estava quase caindo da moto. Ele colocou a arma na minha cabeça e disse: “Vou te matar, vou te matar”. Eu falei: “Calma, estou te dando”.
Tentativa de roubo a Porsche na Lagoa: suspeito foi baleado por segurança
Júnior Bauru disse que o policial militar Braulio Augusto de Figueiredo Junior, de 35 anos, que atirou no bandido, estava de folga e é seu amigo. Segundo ele, os dois estavam indo almoçar. No Porsche, estava outro amigo da vítima, que é pastor. O ataque ocorreu por volta de 12h20, em meio ao trânsito movimentado da Avenida Epitácio Pessoa. Com Lucas, foi apreendido um revólver calibre 32.
O relógio que o criminoso tentava levar, segundo o empresário, custou R$ 190 mil. A polícia confirmou que o suspeito teria ligação com a quadrilha especializada em roubos de relógios de luxo. O empresário contou que Lucas de Jesus estava numa moto roubada quatro dias antes.
Após depor na delegacia, Júnior Bauru criticou a insegurança no Rio e defendeu mudanças na legislação, visando a penas mais rigorosas para crimes como roubo. Ele também afirmou que considera rever a própria rotina e contratar uma equipe de segurança.
— Normalmente, não tenho segurança particular, mas estou começando a pensar nessa hipótese. Não tem como mais andar em qualquer parte da cidade sem preocupação — afirmou. — O Rio de Janeiro está tomado pela incerteza. A gente perdeu o livre-arbítrio de ir e vir. Ando por todo o Rio porque tenho unidades do Bauru pelo estado, e vejo que a situação está caótica. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, considerando até normal um assalto, mas não é. Aquele cara poderia ter acabado com a minha vida ali.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/8/w/oKkvvxQWAHrYtuvI8YSQ/fundo-blur-site-1793901580146.jpg)
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP), a Lagoa teve apenas dois casos de roubo no interior do veículo no primeiro semestre de 2026. Quanto aos roubos de carro, foram cinco no mesmo período.
O empresário disse ter pensado nas consequências que sua morte poderia provocar para as famílias de seus funcionários:
— Poderia deixar três filhos órfãos e mais de 1.500 famílias desamparadas. Era tudo ou nada para ele ali. Graças a Deus, nenhum disparo me atingiu.
- De Caxias para os EUA: Brasileiro eleito deputado na Flórida ganhará menos que parlamentares da Alerj; veja a diferença salarial
Júnior Bauru contou que foi vítima de outros dois roubos no Rio. Um deles ocorreu há cerca de sete anos. Em maio deste ano, foi assaltado na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, enquanto andava de moto com o filho, de 4 anos. Segundo ele, os criminosos levaram o veículo, mas não fizeram ameaças porque a criança estava na garupa. Ainda assim, a experiência fez com que desistisse de andar de moto.
Há três anos, Lucas de Jesus foi condenado pelo roubo de um Rolex, modelo Submariner No Date, avaliado em R$ 70 mil, cometido com o uso de uma arma. De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo, ele interceptou o motorista quando este chegava em casa em Campinas, em setembro de 2022. A abordagem foi muito parecida com a situação que ocorreu ontem na Lagoa: ele emparelhou a motocicleta que pilotava, apontou uma arma em direção à cabeça da vítima e roubou o relógio.
O motorista decidiu perseguir o assaltante. De acordo com o depoimento, a caçada durou cerca de 30 minutos até que Lucas perdeu o controle da moto e caiu. Com a queda do suspeito, a vítima conseguiu recuperar o relógio, e o ladrão foi preso. Por esse crime, foi condenado a nove anos e 26 dias de reclusão, em regime fechado. Procurado, o Tribunal de Justiça de São Paulo não informou quando o acusado deixou a prisão.
- Após protestos, obra de eletroposto no Aterro do Flamengo é demolida, mas prefeitura planeja nova concessão da área; entenda
