Polícia Civil e MPRJ fazem operação contra monopólio de gás do CV | Rio de Janeiro

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Grupo controlava a comercialização de gás de cozinha e extorquia comerciantes - Divulgação




Grupo controlava a comercialização de gás de cozinha e extorquia comerciantesDivulgação

A Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público, realiza, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra o Comando Vermelho, pela exploração monopolizada e violenta da comercialização de gás de cozinha em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas. Até o momento, quatro pessoas foram presas, sendo duas que já estavam encarceradas.
A ação tem como objetivo o cumprimento de 9 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão, além da execução de medidas judiciais de bloqueio de ativos financeiros e sequestro de bens vinculados à organização criminosa.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos simultaneamente em diferentes regiões do estado, com maior concentração no município de São Gonçalo, abrangendo localidades como Jardim Catarina, Trindade, Santa Luzia, Guaxindiba, Neves, Boaçu, Alcântara, Covanca, Pita, Arsenal, Engenho Pequeno, Marambaia, Jardim Independência, Jardim Nova República e Mutuapira, entre outras.

As diligências também alcançam os municípios de Itaboraí, nas regiões de Apolo II, Apolo III, Outeiro das Pedras, Marambaia/Manilha e Ampliação; Duque de Caxias, nas localidades de Chácara Rio-Petrópolis, Vila Santa Cruz e Parque Eldorado; Niterói, no bairro Engenho do Mato; além da capital fluminense, com ações previstas no Recreio dos Bandeirantes e na Taquara.

Entre os alvos estão residências de investigados e estabelecimentos comerciais, especialmente distribuidoras e revendedoras de gás apontadas como integrantes ou vinculadas à estrutura econômica investigada.

A ação é coordenada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPRJ (Gaeco), contando com o apoio de equipes de outras unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Investigação

A investigação revelou um modelo de exploração econômica no qual o domínio armado de comunidades pelo tráfico de drogas era utilizado para controlar a venda do gás de cozinha. Nesse sistema, a liberdade de comércio era substituída pelas regras impostas pela organização criminosa. Comerciantes eram obrigados a adquirir produtos de fornecedores vinculados ao grupo ou realizar pagamentos periódicos aos criminosos, sob ameaça de retaliações.

Essas cobranças eram conhecidas internamente como “metas do gás”, constituindo mecanismo de arrecadação sistemática de recursos em benefício da estrutura criminosa.

As diligências identificaram uma estrutura criminosa estável, organizada e com divisão de funções, envolvendo operadores comerciais, responsáveis pela logística de distribuição, arrecadadores e integrantes vinculados ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho.

Ao longo da apuração, os policiais civis realizaram diligências de campo, colheram depoimentos de vítimas, efetuaram cruzamentos cadastrais, analisaram registros de estações rádio-base (ERBs), examinaram dados obtidos por meio de interceptações telefônicas e quebras de sigilo telemático judicialmente autorizadas e, em maior relevância, realizaram a análise de dados armazenados em mídias utilizadas por um dos principais investigados.

A medida permitiu recuperar comunicações e reconstruir parte significativa da dinâmica operacional da organização, revelando a interlocução entre responsáveis pela atividade comercial, arrecadadores e integrantes vinculados ao tráfico de drogas.

O cruzamento dessas informações com outras provas reunidas pela DDSD foi fundamental para individualizar a atuação dos investigados, identificar a divisão de tarefas, compreender os mecanismos utilizados para coordenar a arrecadação e a exploração dos territórios e subsidiar as medidas cautelares da Operação Dominus.

Entenda o esquema

As investigações apontaram que o esquema não era composto por comerciantes agindo isoladamente, mas por uma estrutura organizada, com funções específicas e comunicação permanente entre seus integrantes.

Um dos núcleos era responsável pela coordenação operacional e pela interlocução entre operadores comerciais, arrecadadores e integrantes ligados ao controle territorial do Comando Vermelho.

Outro núcleo atuava na logística da comercialização do GLP, acompanhando a distribuição do produto e a manutenção do monopólio nas comunidades exploradas.

Também foram identificados integrantes responsáveis pela cobrança e arrecadação de valores, além de interlocutores vinculados à estrutura territorial da facção, cuja atuação contribuía para sustentar o ambiente de intimidação imposto aos comerciantes.

A investigação identificou, ainda, indícios de movimentações patrimoniais incompatíveis com as atividades econômicas formalmente declaradas por determinados investigados, bem como a utilização de estruturas empresariais aparentemente relacionadas à manutenção do esquema.

Relação com Liderança do CV

As investigações apontaram que o principal investigado mantinha relações de proximidade e confiança com lideranças do Comando Vermelho, prestando apoio a interesses pessoais e à movimentação de integrantes da cúpula da facção. Os elementos reunidos pela DDSD indicam que essa relação ultrapassava as articulações comerciais relacionadas à exploração do gás, abrangendo auxílio logístico e convivência pessoal com chefes do tráfico.

Segundo o relatório final da investigação, o suspeito atuava na locação de imóveis para Edgard Alves de Andrade, O Doca, apontado como a principal liderança em liberdade do Comando Vermelho. A apuração identificou, ainda, sua contribuição para a fuga dessa liderança do Complexo do Alemão durante a operação policial Contenção realizada pela Polícia Civil em dezembro de 2024.

A investigação também revelou relação de proximidade com “Zeus”, apontado como liderança do tráfico na comunidade da Muzema. Entre os elementos identificados está o convite ao investigado para a comemoração de aniversário da filha do traficante, circunstância que, analisada em conjunto com as demais informações reunidas, reforça a existência de vínculos pessoais e seu acesso ao círculo de confiança dessa liderança.

Os elementos investigativos apontam, ainda, que o investigado realizava visitas frequentes ao Complexo do Alemão, território onde, segundo a apuração, se encontram escondidas diversas lideranças do Comando Vermelho. Essa circulação, associada à interlocução direta com chefes do tráfico e ao apoio prestado a suas demandas, evidencia sua inserção nas relações de confiança da organização criminosa.

Nesse contexto, o investigado desempenhava papel relevante na conexão entre a estrutura empresarial utilizada pelo grupo e as lideranças responsáveis pelo domínio armado das comunidades. Segundo a investigação, essa posição favorecia a articulação de interesses econômicos, a manutenção do monopólio da comercialização de gás e a expansão do esquema sustentado pelo poder de intimidação da facção.

Empresas de fachada e “laranjas” 

A investigação também identificou indícios de que o investigado utilizava diversas empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para movimentar recursos, ocultar patrimônio e conferir aparência de legalidade a valores provenientes das atividades criminosas.

Segundo a apuração, o esquema envolvia a constituição e a utilização de pessoas jurídicas formalmente registradas em nome de terceiros, especialmente nos setores de distribuição de gás e construção civil, sobre as quais o investigado mantinha ingerência. A utilização dessas estruturas permitia afastar seu nome da titularidade formal de empresas e bens, dificultando a identificação do efetivo controlador e beneficiário dos recursos.

Bloqueio de valores e sequestro de bens

Além das prisões e buscas, a Operação Dominus contempla medidas de constrição patrimonial destinadas a atingir os recursos financeiros e os bens vinculados à organização investigada, com bloqueio de mais de R$ 350 milhões, somado ao sequestro de bens vinculados aos investigados.

O bloqueio de ativos e o sequestro de bens têm como finalidade impedir a dissipação de patrimônio potencialmente relacionado às atividades criminosas, preservar valores para eventual recuperação e comprometer a capacidade econômica da estrutura investigada.

A estratégia busca atingir simultaneamente os integrantes da organização, seus instrumentos operacionais e os recursos econômicos que sustentam o esquema.

A atuação patrimonial representa uma frente importante no enfrentamento ao crime organizado, uma vez que a interrupção de uma atividade ilícita exige também o enfrentamento dos mecanismos que permitem sua manutenção e financiamento.

As investigações prosseguem para aprofundar a identificação dos fluxos financeiros, localizar outros ativos vinculados aos investigados e esclarecer integralmente a participação dos integrantes da organização criminosa.



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2026/10/7316898-policia-civil-e-mprj-fazem-operacao-contra-monopolio-de-gas-do-cv.html

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