O governo do presidente argentino Javier Milei não pretende parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória nas eleições, segundo informações divulgadas pela imprensa argentina nesta segunda-feira (27). De acordo com o jornal Clarín, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou que o governo tomou conhecimento do resultado, mas não divulgará comunicado oficial sobre a eleição.
Milei foi o único líder da América do Sul a não parabenizar Lula. Outros presidentes da região reconheceram a vitória do brasileiro e enviaram mensagens de felicitação.
Apesar das divergências políticas, Brasil e Argentina mantêm uma relação comercial estratégica, com forte integração industrial e participação central no Mercosul.
Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e também a maior origem das importações da Argentina, com US$ 18,4 bilhões em produtos comprados, segundo dados do governo argentino.
A ausência de uma manifestação oficial ocorre após uma série de desentendimentos entre os dois presidentes. Durante a campanha eleitoral brasileira, Milei apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e fez críticas públicas a Lula nas redes sociais, chegando a chamá-lo de “ladrão corrupto”.
Em agosto, durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o presidente argentino voltou a atacar Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Milei também acusou o governo brasileiro de interferir nas eleições presidenciais argentinas de 2023, quando Sergio Massa foi derrotado. Segundo o argentino, assessores brasileiros teriam participado da campanha do então candidato.
Após as declarações, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro e chamou o representante diplomático do Brasil em Buenos Aires para consultas.
Inicialmente, Lula evitou prolongar a polêmica. Posteriormente, criticou a participação de Milei no evento do PL e afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira.
A falta de cumprimento de Milei após a eleição amplia o histórico de divergências entre os dois presidentes, apesar da importância das relações comerciais entre Brasil e Argentina.
