Saiba quem são os alvos da Operação Unha e Carne e qual era a função de cada um, segundo a PF

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(Arte: GloboNews)

A 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (15), mira um grupo que, segundo a Polícia Federal (PF), usava 96 postos de combustíveis no Grande Rio e na Região dos Lagos para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos e articulação político-institucional.

Entre os presos estão Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil. Ambos já haviam sido alvo de buscas na 6ª fase da operação, em julho.

Ao todo, agentes saíram para cumprir 6 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.

As ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também está inserida no contexto da ADPF 635, a ADPF das Favelas, que determinou, entre outras providências, que a PF conduzisse investigações sobre relações de agentes públicos com grupos criminosos no RJ.

De acordo com um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.

Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, das quais 96 são postos de combustíveis e revendas associadas.

Segundo a PF, além de organização criminosa armada, são investigados, de acordo com a participação atribuída a cada um, crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Veja quem é quem entre os principais investigados.

Márcio Canella: articulação política

Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella, é ex-prefeito de Belford Roxo e se elegeu deputado estadual com a 2ª maior votação do RJ.

Segundo a investigação, ele exercia o papel de articulador político do grupo e fazia a ligação entre agentes públicos e a estrutura econômica formada em torno dos postos de combustíveis.

A investigação afirma que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, posteriormente, para a Secretaria de Polícia Civil.

Os investigadores também apontam que Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões em créditos da Brumar Empreendimentos, além de mais de R$ 139 mil em espécie. A origem desses valores, segundo a apuração, não foi esclarecida.

Canella foi indiciado por organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.

“Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”, declarou.

Marcus Amim: atuação na cúpula da segurança

Marcus Vinicius Amim Fernandes é delegado e comandou o Detran-RJ antes de assumir a Secretaria de Polícia Civil.

Segundo a investigação, ele usava os cargos ocupados para dar proteção institucional às atividades do grupo. Os investigadores afirmam ainda que Amim era sócio oculto do posto Gasmix Alcântara, ao lado dos irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.

A apuração aponta também que uma empresa de Amim, a Mamim Consultoria, recebeu R$ 1,821 milhão da ADM Oil por meio de um contrato de consultoria que os investigadores consideram fictício.

Pablo Russo: controle de uma rede de postos

Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, ele era o principal operador de fato de uma ampla rede de postos de combustíveis.

A apuração aponta que Pablo atuava em mais de 20 postos e controlava cerca de 43 estabelecimentos de bandeira BR, embora as empresas estivessem formalmente registradas em nome da mulher dele e de uma sócia dela.

Os investigadores afirmam ainda que Pablo tinha acesso antecipado, por intermédio de um advogado, a agendas sigilosas de fiscalização do Procon e da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor.

Ele foi indiciado por organização criminosa armada, corrupção ativa, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis, formação de cartel e lavagem de dinheiro.

José Carlos Alves de Souza Júnior: gestão dos recursos

José Carlos Alves de Souza Júnior, conhecido como Júnior, também é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, embora não aparecesse formalmente como sócio ou administrador da maior parte das empresas, Júnior tinha controle de fato sobre parte da estrutura econômica do grupo.

Os investigadores afirmam que ele usava a mulher, Luisi Correa Pinho, como laranja, e participava da distribuição de recursos entre integrantes do grupo e agentes públicos.

A investigação também atribui a Júnior ameaças contra um ex-sócio que cobrava valores investidos.

Christiano Gaspar Fernandes: policial civil e secretário municipal

Christiano Gaspar Fernandes é inspetor da Polícia Civil e ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo.

Segundo a investigação, ele é sócio oculto da Gasmix Alcântara Posto de Gasolina, juntamente com o irmão, Giovanni Gaspar Fernandes.

Os investigadores afirmam que Christiano recebia repasses ligados ao posto Gas Mix e aparecia em registros financeiros sob o codinome “Meninos”, também utilizado em referência a Giovanni.

Giovanni Gaspar Fernandes: sociedade oculta no posto

Também inspetor da Polícia Civil, Giovanni Gaspar Fernandes é apontado pela investigação como sócio oculto da Gasmix Alcântara nas mesmas condições do irmão, Christiano.

A apuração também analisa operações envolvendo a Vitaserv, empresa ligada à mulher de Giovanni, Taissa Burgos Fernandes.

Segundo a investigação, a Vitaserv emitiu R$ 200 mil em notas fiscais de serviços de jardinagem para Luisi Correa Pinho. Os investigadores consideram as notas fictícias e apontam que a empresa não tinha empregados registrados.

Estes 6 tiveram a prisão preventiva decretada.

*Com informações do G1

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