Segundo deputado estadual mais votado, entenda como ficará a situação de Canella na Alerj

Tempo de leitura: 3 min
(Foto: Reprodução)

O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15), corre o risco de perder o mandato de deputado estadual conquistado nas eleições deste ano.

Canella havia sido preso pela primeira vez em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Na ocasião, os agentes encontraram um fuzil em seu carro. Ele foi liberado após a comprovação de que a arma estava sob responsabilidade de seu segurança, um policial militar.

Por causa das investigações, o Ministério Público Eleitoral tentou impedir sua candidatura à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No entanto, no dia 29 de setembro, apenas cinco dias antes da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) autorizou sua participação na disputa.

O tribunal entendeu que não havia provas suficientes de que uma organização criminosa tivesse utilizado sua estrutura para beneficiar a campanha de Canella.

Com a candidatura liberada, o ex-prefeito recebeu 197.178 votos e se tornou o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.

Apesar da decisão favorável, o Ministério Público Eleitoral recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o caso ainda não foi julgado.

Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal avançaram. A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos, com suspeitas de ligação com facções criminosas. Novos elementos encontrados durante as buscas levaram à segunda prisão de Canella, nesta quarta-feira (15).

Mas como fica a situação de Canella na Alerj?

Como Canella disputou a eleição com o registro deferido, mesmo que o TSE agora negue seu registro não significa necessariamente a perda dos votos. Pela regra eleitoral, nessa situação, eles podem continuar sendo contabilizados para a legenda, beneficiando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

Assim, Canella pode perder a cadeira, mas seu grupo político ainda poderá aproveitar a votação, dependendo dos efeitos da decisão judicial.

A prisão preventiva, por sua vez, não impede automaticamente a diplomação nem provoca a perda dos direitos políticos. Mesmo preso, Canella poderá receber o diploma se o registro continuar deferido.

O futuro do ex-prefeito dependerá, portanto, de duas frentes independentes: a investigação criminal no STF e o julgamento dos recursos eleitorais no TSE. O resultado poderá definir não apenas se ele conseguirá assumir o mandato, mas também quem ficará com a cadeira conquistada nas urnas.

Agora, a situação política do ex-prefeito pode ficar ainda mais complicada. Caso o TSE aceite o recurso do Ministério Público e decida contra sua candidatura, Canella poderá ser impedido de tomar posse na Alerj, mesmo após ter sido eleito com quase 200 mil votos.

LEIA TAMBÉM

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *