Gláucio Marcelo trabalhou por 26 anos na Polícia MilitarReprodução / Redes Sociais
Em postagem nas redes sociais, Laryssa valorizou o legado deixado pelo pai. Ela destacou que Gláucio era uma pessoa que sempre buscava cuidar da família. A mulher trabalha com pós-operatórios em uma clínica de estética e, em alguns atendimentos, pedia licença aos pacientes para informar ao PM que estava tudo bem, exemplificando a proteção e o cuidado oferecido.
“Não conheço uma pessoa que tenha passado pela vida do meu pai e não tenha sido cuidada por ele. Vivia o amor ao próximo. Se precisasse ficar sem algo só para o outro ter, assim então ele fazia. Me ensinou tudo o que sei sobre a fé, sobre o amor de Deus. Nunca deixou nada faltar para mim e para meus irmãos. Ele nos amou na sua totalidade. Sua maior felicidade era ter a nós. Tudo o que sempre fez foi para que eu e meus irmãos fôssemos felizes, realizados, amados, cuidados”, escreveu.
A filha completou que todos que conheciam o pai gostavam dele. Segundo ela, o policial esbanjava alegria, bondade, energia, vitalidade e vontade de servir.
“Uma parte de mim se foi. Nunca mais poderei ouvir a sua voz, sentir o seu abraço, sentir seu cheirinho e te receber na minha casa. Nunca mais vou ter que parar no meio do centro cirúrgico ou do atendimento e falar baixinho ‘Tô trabalhando, já te ligo’. Parte dos meus sonhos se encerram. Eu estou despedaçada, sem chão, com uma dor que sempre foi o meu maior medo sentir. Eu perdi sua presença física, mas o seu legado será eterno! Que eu possa ser pelo menos 1% do que você foi. Isso já me bastaria. Eu te amo mais do que tudo, pai! Nos encontraremos na eternidade”, finalizou.
Gláucio foi sepultado nesta segunda-feira (12) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. Familiares, amigos e colegas de farda fizeram as últimas homenagens. Um helicóptero do Bope fez um voo sobre o local.
Nas redes sociais, o batalhão se despediu do subtenente, valorizando sua trajetória na corporação. Gláucio ficou 26 anos na Polícia Militar. Ele morreu salvando a vida de outros três agentes.
“O subtenente Gláucio dedicou sua vida à missão, vestiu a farda com honra e construiu uma história que não termina com sua partida. Aos 54 anos, deixa um legado de serviço, uma família que sentirá sua ausência e irmãos de farda que jamais esquecerão sua trajetória. No último adeus, cada continência, cada passo do cortejo e cada lágrima traduziram o respeito de uma tropa que reconhece o valor de quem caminhou ao seu lado. Heróis não são lembrados apenas pelo que fizeram, mas pelo que deixam naqueles que permanecem Sua missão entre nós se encerra, mas sua história seguirá viva na memória do Bope”, diz o texto.
Comunicação da ocorrência
Gláucio morreu ao ser baleado por policiais militares do 18º BPM (Jacarepaguá) durante uma abordagem, na Rua Guilherme Moreira, na divisa dos bairros Gardênia Azul e Freguesia, na Zona Sudoeste do Rio, no último domingo (11).
Segundo a Polícia Militar, uma equipe do Bope estava abordando um veículo quando agentes do 18º BPM avistaram a movimentação. A corporação informou que devido à baixa luminosidade no local, os policiais teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa e efetuado disparos contra a equipe.
O subtenente e outros cinco PMs foram atingidos, sendo quatro do Bope e um do 18º BPM. O grupo foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Sudoeste. Gláucio chegou já sem vida. Até domingo (11), três dos feridos já tinham recebido alta.
Nesta segunda-feira (12), no local do sepultamento, a biomédica esteta Aline Viana, ex-mulher do PM, disse à imprensa que houve comunicação da ocorrência. Agora, parentes e amigos buscam entender o que houve para ocorrer o tiroteio.
“A gente quer entender exatamente o que aconteceu porque, de primeira mão, foi passado pra nós que não houve uma comunicação. Nós já sabemos que foi feita uma comunicação. A gente quer entender quem foi comunicado, se essa pessoa passou a comunicação pra todo batalhão. Se sabiam que estava naquela área, por que aconteceu isso tudo?”, questionou.
A Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ª DPJM), apura o caso. O Governo do Rio destacou que prestará toda assistência às vítimas e seus familiares.
