Imagem de prefeito de subúrbio de Paris protegendo manifestantes viraliza na França: ‘Me senti em perigo com a polícia lá’

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Prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, reage entre manifestantes e policiais durante uma manifestação em Paris — Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP


As imagens de Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis, no subúrbio de Paris, se colocando entre a polícia e manifestantes durante os protestos estudantis correram o mundo. “Parem! Parem!”, grita o prefeito, de terno e gravata, diante de policiais que se preparavam para avançar contra jovens, alguns encapuzados, durante as manifestações que levaram às ruas mais de 250 mil pessoas na França na última terça-feira. Em entrevista à rede americana CNN, publicada nesta quinta, ele contou que o único momento em que se sentiu em perigo foi diante dos agentes.

— O momento em que realmente me senti em perigo foi quando a polícia estava lá. Eles se contiveram porque me reconheceram — afirmou Bagayoko à CNN. — Eu queria, acima de tudo, agradecer pelo fato de todos esses jovens não terem reagido, embora pudessem.

Enquanto se colocava na frente dos manifestantes, Bagayoko foi atingido por spray de pimenta disparado pelos agentes e precisou ser retirado do tumulto. Em outro registro, aparece sendo conduzido por manifestantes que formam um bloco ao seu redor, enquanto um deles joga soro fisiológico em seus olhos para aliviar a irritação.

Prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, se coloca entre manifestantes e policiais durante protesto estudantil em Paris — Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP

“Hoje, no coração da manifestação, estive onde um prefeito deve estar, ao lado de nossa juventude, para protegê-la e apaziguar as tensões”, escreveu Bagayoko no X. Ele afirmou ter testemunhado “um uso totalmente desproporcional da força contra jovens que simplesmente pedem para ser ouvidos” e pediu aos estudantes que continuem mobilizados, mas que “não cedam a nenhuma provocação” e permaneçam “unidos e não violentos”.

O prefeito também cobrou que o Ministério do Interior revise as orientações sobre a atuação policial “antes que ocorra uma tragédia”. Na quarta-feira, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral nos protestos de estudantes, depois que um adolescente de 15 anos perdeu a mão em Lens, no norte do país. A suspensão chega em meio a uma série de denúncias contra a atuação policial, que já são alvo de 18 investigações da Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN).

Os atos continuaram nesta quinta-feira. Pela manhã, aulas foram suspensas ou canceladas em 375 escolas, e o governo de Emmanuel Macron convocou líderes estudantis para uma reunião à tarde, numa tentativa de conter a Protestos estudantis seguem nesta quinta, com aulas suspensas em 375 escolas, e governo Macron convoca lideranças do movimento para tentar conter a crisecrise. Desde o início dos protestos, em setembro, mais de 6.500 pessoas foram detidas, a maioria menores de idade. Segundo balanço divulgado pelo governo na terça, 215 estudantes, 715 policiais e 85 membros do corpo docente ficaram feridos.

Aclamado pelos estudantes, que reivindicam mais professores e escolas em melhores condições, Bagayoko, de 53 anos, é filiado à França Insubmissa (LFI), partido de esquerda radical que o governo acusa de estar por trás dos protestos. O líder da sigla e candidato à Presidência em 2027, Jean-Luc Mélenchon, manifestou apoio aos estudantes, mas defendeu métodos não violentos. Na semana passada, diante de uma escola de Saint-Denis, o prefeito, de origem malinesa, afirmou que “a violência, em determinado momento, pode ser legítima”, antes de ponderar que, sempre que possível, é melhor evitá-la.

A declaração lhe rendeu uma chuva de críticas e uma denúncia da representação do Estado no departamento, que considerou sua atitude “ambígua” ao citar vídeos virais em que jovens o aclamam como “herói” e ele aparece “dançando” ao lado de uma lixeira em chamas. Bagayoko afirma que tentava apagar o fogo e rejeita as acusações de que seu partido usa a mobilização politicamente. Para ele, o lugar de quem ocupa um cargo eletivo é ao lado dos estudantes. A repercussão chegou à Rússia. No X, Kirill Dmitriev, influente assessor do presidente Vladimir Putin, o chamou de “Robespierre da Revolução Francesa 2.0”.

Prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, se coloca entre manifestantes e policiais durante protesto estudantil em Paris — Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP
Prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, se coloca entre manifestantes e policiais durante protesto estudantil em Paris — Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP

Ex-executivo da empresa de transporte público de Paris (RATP), Bagayoko, que é muçulmano, ganhou projeção com a vitória histórica nas eleições municipais de março, marcada por boatos falsos e ataques racistas da extrema direita. O prefeito logo entrou em choque com o governo, que critica seus ataques recorrentes às forças de segurança e seu projeto de desarmar a polícia municipal.

  • Após adolescente perder a mão: França suspende uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis

Ao assumir o cargo, retirou de seu gabinete o retrato oficial de Macron, para denunciar a incapacidade do Estado de “corrigir as desigualdades”. Em meados do ano, o Ministério Público abriu uma investigação contra ele por suspeita de desvio de recursos públicos e emprego fictício na época em que era vereador, acusação que a RATP desmentiu.

Seu discurso ressoa em Saint-Denis, onde a pobreza é o dobro da média nacional e os alunos denunciam as condições de escolas deterioradas. Ex-jogador semiprofissional e técnico de basquete, pai de quatro filhos, Bagayoko cresceu em conjuntos habitacionais populares e se apresenta como alguém “forjado pelo serviço público e pela solidariedade”.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/10/08/prefeito-de-cidade-no-suburbio-de-paris-protege-manifestantes-e-e-atingido-por-gas-de-pimenta-me-senti-em-perigo-com-a-policia-la.ghtml

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