A Polícia Civil do Rio investiga perfis com milhares de seguidores no TikTok que anunciam carros roubados de luxo abaixo do preço de mercado. Vinte e uma contas foram identificadas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP). Entre as ofertas, a que o portal g1 teve acesso, um Audi Q8 2019 a R$ 15 mil, 20 vezes abaixo do valor médio cobrado na venda regular, R$ 300 mil.
- Agentes públicos ligados ao crime: operação da PF e do MP mira policiais acusados de vender armas e vazar informações para Peixão
- Em defesa da indústria e do fim da escala 6×1: saiba quem é Elias Jabbour, eleito deputado federal pelo PCdoB
Chamam a atenção ainda um Corolla 2022, da Toyota, e Jeep Compass Sport 2024 à venda por R$ 8,5 mil. Ambos passam de R$ 100 mil no mercado formal.
— Carro anunciado em rede social com preço muito abaixo da tabela, sem documento em ordem, com pagamento via Pix para uma pessoa diferente do vendedor, ou apresentado como “dublê” ou “clonado”, é carro de origem criminosa. Quem compra comete crime de receptação, que tem pena de até quatro anos de prisão, e ainda perde o veículo e o dinheiro. Não existe “carro de leilão” vendido por perfil de rede social com entrega em comunidade — alerta o delegado Thiago Neves Bezerra, titular da DRFA-CAP e responsável pelas investigações.
A investigação apura uma suposta ligação dos perfis com o Comando Vermelho. Um dos indícios, diz a polícia, seria uma bandeira vermelha que aparece em diversas publicações.
Bloqueio e banimento das contas
De acordo com o delegado, os perfis são mantidos ativos por curtos períodos, entre 30 e 60 dias. Quando a polícia solicita a preservação de dados para o aprofundamento das investigações, a plataforma, inicialmente, bloqueia o a conta e, posteriormente, faz o banimento.
Os dados cadastrais incluem e-mails falsos ou em nome de terceiros, inclusive residentes de outros estados. Alguns deles sem conhecimento da utilização indevida de suas informações e sem vínculos com a organização criminosa, diz o delegado. Entre os dados usados, estão telefones dessas vítimas como chave PIX.
— Os pagamentos já identificados na operação se deram através de contas de terceiros. O vendedor, mediante conivência de algumas pessoas, utilizava as contas destas para dificultar a real identificação do vendedor. Entretanto, através da análise de dados, com autorização judicial, foi possível identificar os recebedores dos valores, inclusive compradores — afirma o delegado.
As investigações foram iniciadas em 27 de agosto de 2026 e fazem parte da Operação Sinal Oculto, que já efetuou uma prisão em flagrante e cumpriu um mandado de prisão. A ação cumpriu ainda 11 mandados de busca e apreensão, coletando 19 celulares, 2 veículos, 8 máquinas de cartão, 2 pen-drives e outros materiais.
— O roubo de veículos depende de alguém que compre. Quando a polícia atinge o canal de venda, atinge também o motivo do roubo. Esses perfis funcionam como vitrines digitais: alcançam muita gente, trocam de nome com facilidade e dão ao criminoso a falsa sensação de anonimato. A investigação mostra que esse anonimato não se sustenta. Mesmo com contas abertas em nome de terceiros, linhas telefônicas cadastradas em nome de pessoas de outros estados e pagamentos feitos por contas emprestadas, conseguimos, com autorização judicial, chegar a quem recebia o dinheiro e também a quem comprava — diz o delegado.
Em nota, o TikTok diz que as contas foram removidas. Reforça que suas diretrizes não permitem conteúdos que promovam crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens, sendo proibido na plataforma promover roubo ou destruição de propriedade e compartilhar instruções sobre como cometer crimes.
