A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro terá uma renovação de 40% na próxima legislatura. Dos 70 deputados eleitos nas eleições de 2026, 28 serão novos na Casa. Apesar disso, a maioria dos parlamentares conseguiu manter o mandato, mesmo após uma legislatura marcada por investigações, prisões de deputados e suspeitas de envolvimento de políticos com organizações criminosas.
O índice de renovação é menor que o registrado nas duas eleições anteriores. Em 2018, 51% das cadeiras foram renovadas. Em 2022, o percentual ficou em 45,7%.
Entre os novos deputados, porém, há nomes conhecidos da política fluminense. É o caso do ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT) e do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União).
Também chama atenção a presença de políticos com vínculos familiares com figuras conhecidas. Pelo menos nove dos eleitos que chegam à Alerj têm parentesco com outros políticos.
Um deles é Nelsinho Ruas (PL), vereador de São Gonçalo, filho do prefeito da cidade e irmão de Douglas Ruas (PL), que disputou o governo do estado. O deputado eleito afirmou que pretende defender responsabilidade fiscal, investimentos em segurança pública e uma atuação baseada no diálogo entre os Poderes.
A nova bancada também terá estreantes como Fernanda Neves (PDT), esposa do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e Doutora Gabriela (PL), irmã do prefeito de Cabo Frio, Doutor Serginho.
Fernanda, que é servidora pública há 32 anos e tem trajetória ligada às áreas de educação e direitos das mulheres, disse que pretende levar para outras regiões do estado políticas públicas desenvolvidas em Niterói.
Já Doutora Gabriela, que é médica, terá a Saúde como uma das principais bandeiras. Segundo ela, a Região dos Lagos enfrenta déficit de leitos públicos e precisa ampliar as parcerias com o governo estadual.
Segurança Pública ganha espaço
A área da Segurança também estará representada entre os novos parlamentares. Foram eleitos o coronel Menezes (PL), ex-secretário da Polícia Militar; o soldado Tobias (PRD); e o delegado Bernardo Leal (PP).
Leal foi baleado durante uma megaoperação no Complexo do Alemão, em outubro do ano passado, e perdeu uma das pernas. Já Menezes, que comandou a operação, chega à Alerj defendendo políticas de combate ao crime organizado e retomada de territórios.
Outro nome que retorna ao Legislativo é Adilson Pires (PT), ex-vice-prefeito do Rio e vereador por seis mandatos. Ele pretende concentrar a atuação nas políticas sociais.
Também volta à Alerj André Ceciliano, que presidiu a Casa e, em 2022, disputou uma vaga no Senado. Para o petista, Segurança e Educação devem estar entre as prioridades do próximo governo.
A nova composição terá ainda influenciadores digitais, como Felipe Tropa (PL) e Costenaro (Novo). Costenaro recebeu apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a campanha.
Composição ainda pode mudar
A lista divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral ainda não é necessariamente definitiva. Sete candidaturas estão sub judice e aguardam decisões da Justiça Eleitoral.
Dependendo dos julgamentos, a composição da Alerj poderá sofrer alterações. Entre os candidatos que podem conquistar uma cadeira estão Val Ceasa e João Drumond, ambos do PRD.
Assim, apesar da renovação de 40%, o resultado das urnas mantém a maior parte da atual configuração política da Assembleia e abre espaço para uma nova legislatura com nomes vindos da política tradicional, de famílias com trajetória eleitoral, das forças de segurança e também das redes sociais.
