Lula anuncia plano para retomar territórios dominados pelo crime | Brasil

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Lula também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL) - Reprodução / Youtube




Lula também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL)Reprodução / Youtube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (18), que o governo federal trabalha com três eixos no combate ao crime organizado e na melhora na segurança pública: sufocar a logística do crime, retomar o controle de territórios e comunidades e fortalecer a capacidade dos municípios enfrentarem o crime.

“A retomada do controle de territórios É a parte mais desafiadora. É a parte que dá segurança à sociedade. Você não pode levantar sabendo que seu bairro tem um dono. Não pode comprar gás tendo que pagar um pedágio. A rua é sua, o bairro é seu”, disse o presidente.

Lula concedeu entrevista à Rádio Tupi nesta sexta-feira, 18, antes de realizar agendas no Rio de Janeiro ao lado do governador interino do Estado, o desembargador Ricardo Couto.

O presidente disse que vai anunciar uma “experiência” no Rio para a retomada de territórios e segurança pública. Falou que esse “plano piloto” poderá ser implementado em todo o País se der certo no Estado. Afirmou que sempre foi contra intervenções pontuais pelo Exército porque os criminosos sempre voltavam ao local.

“Eu sempre fui contra GLO decreto de Garantia da Lei e da Ordem, anunciavam intervenção, os bandidos saíam, o Exército ficava um ou dois meses e quando saía a bandidagem voltava. É preciso colocar fixo. A polícia precisa atuar 24h por dia durante 365 dias por ano”, disse.

O presidente disse que seu governo está tentando aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no Congresso para dar mais atribuições à União na segurança pública. Prometeu transformar 138 cadeias no País em presídios de segurança máxima

Lula elogia governador interino do RJ

Lula afirmou que o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, “está fazendo um trabalho extraordinário” e “mostrando a seriedade que todos os governantes merecem mostrar”.

“O nosso desembargador está fazendo um trabalho extraordinário. Está mostrando a seriedade que todos os governantes deveriam mostrar”, afirmou.

Lula mencionou o fato de que vários governadores do Rio de Janeiro já foram presos por causa de escândalos de corrupção. Disse que “três ou quatro governadores já foram presos”. Na verdade, foram cinco: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

“O Rio de Janeiro não merece passar o que passa todos os dias. As denúncias de corrupção são muito poderosas, já prenderam três ou quatro governadores. O povo não tem porque acreditar mais nessas coisas. Nosso compromisso é tentar restabelecer o Rio de Janeiro”, afirmou.

Mesmo sem ser questionado diretamente sobre nenhum adversário, Lula atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL). Disse que tem gente de sua família “metida com os milicianos”.

“Tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos do Rio de Janeiro. Na hora em que começa a analisar a situação do Rio de Janeiro, vai perceber que tem muita gente da família Bolsonaro metida com os milicianos. É preciso limpar a política e a polícia. Isso é um trabalho árduo, a sociedade precisa assumir a responsabilidade e dizer o futuro que ela quer”, declarou o presidente.

O presidente aproveitou para também criticar o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), aliado de Flávio e implicado diretamente no escândalo do Banco Master. Afirmou que Castro está “enterrado até o pescoço nessa relação promíscua” com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula repetiu uma frase que tem tentado falar em seus discursos e entrevistas: “Eles governo Bolsonaro tornaram Vorcaro banqueiro, eu o tornei prisioneiro”.

Ministros do STF

O presidente disse que “cinco ministros” do Supremo Tribunal Federal (STF) “estão ligados direta ou indiretamente” com o escândalo do Banco Master e que, antes de discutir uma reforma do Judiciário, é preciso “resolver esse problema”. Ele citou explicitamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e disse que “ninguém está defendendo” os negócios deles com o Master.

Sem mencionar o nome do ministro Kassio Nunes Marques, Lula também citou uma reportagem que revelou mensagens que indicam que o ministro teria tido um encontro com uma acompanhante pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Para o presidente, a crise no STF “contamina tudo” no processo eleitoral. “Obviamente que me preocupa, porque vamos ter que discutir como concertar isso. É preciso ter uma reforma do Judiciário, mas antes disso temos de resolver esse problema. Ali, você tem cinco ministros que estão ligados direta ou indiretamente”, declarou.

Lula elogiou Moraes antes de mencionar seu envolvimento no caso Master. disse que ele “teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia” e que o senador Flávio Bolsonaro (PL) “tem bronca dele não por causa do Master, mas porque ele Moraes prendeu o pai dele, Jair Bolsonaro”.

“O Alexandre Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia. Pela primeira vez, tivemos quatro generais presos. Isso é histórico. E pela primeira vez, um presidente foi preso por tentar dar golpe. Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master. Estamos defendendo que quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico”, afirmou.

“Orgia e mais orgia”

Sobre o caso de Nunes Marques, Lula preferiu adotar um tom irônico. Sugeriu que o ministro André Mendonça, relator da investigação do Master no STF, “segurou” informações sobre o caso que agora virão a público. Voltou a falar que Vorcaro promovia “orgia e mais orgia”.

“Ainda não saiu tudo, porque o seu André Mendonça tinha muitas informações na mão dele que ele segurou. Eu acho que vamos saber tudo. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes já têm as fitas que estavam só com o André, os outros ministros acho que já têm, uma parte da imprensa já tem. Agora é só começar a mostrar as informações”, afirmou.

“Tem muita gente com medo da República. Era orgia e mais orgia, uma sacanagem impensável para o cidadão comum. Saiu até uma matéria de um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil e ele ainda não pagou, mandou o banco pagar. Só faltou ele tentar entrar no Desenrola para pagar a dívida dele. É essa baixaria que tem que acabar na política”, declarou.

Lula disse ver “com uma certeza tristeza” as revelações sobre o caso Master. “A sociedade não tem que aceitar isso como normal. Você tem um cidadão que era um zé ninguém, o governo Bolsonaro fez ele virar banqueiro, deu um desfalque de R$ 60 bilhões, envolveu outros bancos, governos de Estado”, declarou.

“Ele corrompeu todo mundo. Se você for ver as fitas que estão sendo degravadas do celular dele, ele corrompeu todo mundo, patrocinava orgias, trazia mulheres da Suécia, da Suíça, não sei de onde, para os bacanas brasileiros que gostam dessas coisas. Ele envolveu gente da Suprema Corte, deputados, senadores, todo mundo”, disse.

Questionado se essa crise no STF pode afetar o processo eleitoral, Lula disse que “vai respingar na reta final”. Mas reforçou: “o que queremos mostrar é quem é o culpado disso. E se chama Bolsonaro. Esse banco não existia e foi criado no governo Bolsonaro”.

O presidente afirmou que “é nesses momentos de crise que a gente tem que tomar as decisões corretas. Muitas vezes ela vem, nós pensamos que é para piorar, mas ela vem para ajudar”.

Fim da escala 6×1 é “importante para as mulheres”

O petista disse que o fim da escala de trabalho 6×1 é importante para todos os brasileiros, mas em especial para as mulheres, por causa dos trabalhos domésticos que, na nossa sociedade, muitas vezes acabam recaindo nelas.

O presidente não falou sobre o fim da escala 6×1 a não ser no momento em que foi questionado sobre as medidas de combate à violência contra a mulher. Depois de citar o pacto contra o feminicídio, que seu governo assinou junto aos Três Poderes da República e tem levado adiante aos Estados, Lula mencionou que a redução da jornada de trabalho também seria uma forma de dar mais tempo às mulheres para o lazer.



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/brasil/2026/09/7303313-lula-anuncia-plano-para-retomar-territorios-dominados-pelo-crime.html

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