Policiais civis da 38ª DP (Brás de Pina) deflagraram, na manhã desta sexta-feira (18), uma grande operação para asfixiar uma rede criminosa especializada na receptação de cargas roubadas e furtadas. A ação foca em alvos do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.
Os agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão no bairro da Pavuna, na Zona Norte da capital, e pelos municípios de São João de Meriti, Nova Iguaçu, Queimados e Belford Roxo.
Alimentos vencidos iriam para as ruas
Durante as buscas na Pavuna, as equipes se depararam com um cenário alarmante: uma grande quantidade de insumos e mercadorias estava armazenada em condições totalmente insalubres. Parte dos produtos já estava com o prazo de validade vencido.
Segundo a polícia, os alimentos já tinham sido separados em carrinhos de feira e estavam prontos para serem comercializados ilegalmente para a população local, inclusive na tradicional Feira da Pavuna.
O golpe do falso frete
A investigação que culminou na operação de hoje teve início após o representante de uma empresa denunciar o sumiço de um lote de mercadorias. O crime ocorreu durante um serviço de transporte contratado por meio de fraude.
De acordo com as autoridades, um dos estelionatários se passou por executivo de uma transportadora legítima, oferecendo uma estrutura completa com caminhão, motorista e ajudante para realizar as entregas. No entanto, assim que a carga foi recolhida, o grupo desapareceu.
O alerta acendeu quando clientes da empresa começaram a reclamar que nunca receberam os produtos. Ao checar os canhotos de entrega apresentados pela suposta transportadora, a empresa lesada constatou que todos os recibos continham carimbos falsificados.
Inteligência e asfixia financeira
Por meio de um trabalho de inteligência e cruzamento de dados, os agentes da 38ª DP conseguiram rastrear a rota da carga e identificar os donos de estabelecimentos comerciais que compravam as mercadorias de origem ilícita para revender.
Até o momento, pelo menos seis pessoas foram formalmente identificadas como integrantes do esquema. A Polícia Civil informou que os investigados devem responder pelos crimes de furto mediante abuso de confiança, receptação qualificada e associação criminosa. O material apreendido nesta sexta-feira será analisado para identificar outros elos da organização.
R$ 56 milhões em prejuízo ao crime
A ofensiva de hoje integra a segunda fase da “Operação Torniquete”, uma força-tarefa contínua da Polícia Civil do Rio para combater o roubo, furto e receptação de cargas e veículos. Essas modalidades criminosas são consideradas vitais por autoridades de segurança, pois financiam o tráfico de drogas e milícias, custeiam disputas territoriais e pagam “pensões” a familiares de criminosos presos ou foragidos.
O balanço da Operação Torniquete impressiona: desde setembro de 2024, a iniciativa já realizou 1.110 prisões e recuperou mais de R$ 56 milhões em veículos e cargas. Além disso, a Justiça já determinou o bloqueio de mais de R$ 70 milhões em bens e valores dos integrantes dessas quadrilhas, sufocando o braço financeiro das facções.
