O anúncio ontem do reajuste do Bolsa Família feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva motivou uma onda de críticas dos seus adversários na corrida pela Presidência. O senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) disse considerar a medida como “ilegal”. Os ex-governadores de Minas e de Goiás, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), respectivamente, afirmaram que a medida é eleitoreira.
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No mesmo tom Augusto Cury (Avante), que aparece em terceiro, falou em manipulação eleitoral. O mineiro e o bolsonarista ainda ressaltaram que o movimento do governo mostra o desespero do petista. Renan Santos (Missão) afirmou que vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ontem, sem analisar o mérito da medida, o ministro André Mendonça, sorteado relator do caso na Corte, rejeitou uma ação em que o deputado federal e candidato à reeleição Zé Trovão (PL-SC) questionava o reajuste, sob o argumento de que um candidato a deputado federal não tem legitimidade para apresentar uma ação contra um candidato à Presidência, uma vez que os dois cargos são disputados em circunscrições eleitorais diferentes.
Durante uma agenda de sua campanha em Vitória da Conquista (BA), Flávio Bolsonaro afirmou que Lula tenta tirar proveito eleitoral do reajuste na reta final da disputa e comparou o poder de compra do benefício ao valor pago durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Os R$ 600 não compram mais o que compravam na época do Bolsonaro. Não caia na falsa promessa da picanha, porque Lula está em desespero. Lula acabou de fazer um decreto, mesmo sabendo que é ilegal e proibido durante as eleições. Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo. Faltando 17 dias para a eleição, acha que vai enganar dando reajuste no Bolsa Família. Mas é um desespero porque ele sabe que já perdeu — afirmou.
Apesar de Flávio classificar publicamente o reajuste como ilegal, sua campanha decidiu não acionar o TSE. A informação foi confirmada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica do candidato.
Quarto colocado nas pesquisas na última Quaest para o primeiro turno, o candidato do Missão, Renan Santos afirmou que Lula estaria “jogando o peso da irresponsabilidade econômica dele no colo de quem trabalha e produz” e que pretende acionar a justiça eleitoral contra a medida.
— Eu não vou deixar isso acontecer, ao contrário dos outros candidatos que têm medo de fazer esse enfrentamento porque sabem que é impopular. É crime eleitoral — afirmou o candidato em comunicado à imprensa.
O ex-governador mineiro, que marcou 2% na pesquisa Datafolha divulgada ontem, também classificou o reajuste como eleitoreiro e acusou Lula de comprometer as contas públicas para tentar reverter o cenário das pesquisas.
— Isso mostra o desespero de Lula depois de perder a liderança nas pesquisas de segundo turno. Lula age de forma irresponsável, aprofundando a catástrofe nas contas públicas do Brasil e comprometendo mais R$ 22 bilhões para tentar comprar o voto do brasileiro que o PT deixou na pobreza nos últimos 20 anos — afirmou.
Já Ronaldo Caiado enfatizou que ninguém é contra apoiar a parcela mais necessitada da população e que o valor do Bolsa Família deve proteger quem vive em vulnerabilidade:
— Mas aprovar R$ 5,8 bilhões de reajuste a 17 dias da eleição escancara o uso eleitoreiro do programa”, escreveu Caiado na rede social X. — A dívida do país está no vermelho. É um desgoverno que rifa o futuro do país sem o menor pudor. Candidato do Avante, Augusto Cury, criticou o uso do Bolsa Família como pauta eleitoral:
— O Bolsa Família não pode ser tratado como favor de governo nem como instrumento de manipulação eleitoral.
Em nota, após defender a manutenção e o aperfeiçoamento do programa e propor que beneficiários possam trabalhar com carteira assinada ou abrir pequenos negócios sem perder imediatamente o auxílio, Cury disse que “muitas vezes o Brasil se preocupa mais com disputas políticas, narrativas e zonas de influência do que com o bem-estar real das famílias”:
— Jamais pode ser usado a dor das pessoas como pauta eleitoral! Infelizmente, parece que o presidente atual, valoriza a pobreza, mas deveria amar os pobres, ter políticas que tiram os pobres da pobreza. Não é o que temos visto, pois 82 por cento das famílias estão endividadas. Nada tão cruel.
