Segurança pública
Segundo a candidata, o estado tem R$ 19 bilhões destinados à segurança pública em um modelo que não traz resultados.
“Eu não me sinto segura no Rio de Janeiro, nem desde o ano passado, nem há cinco ou dez anos, e os únicos que propõem uma reformulação somos nós. Nós defendemos a desmilitarização das polícias e uma polícia comunitária. Defendemos a criação de conselhos comunitários e a humanização do processo de segurança dos guardas e da polícia, e não como é feito hoje. Ao longo dos últimos anos, o problema só aumentou, porque aumentou o número de policiais submetidos a condições ruins de trabalho e a operações que já demonstraram não ser a solução”, disse.
Juliete afirmou ainda que todas as chacinas do Rio tiveram participação do Estado.
“Vamos acabar com as operações criminosas, reformular essa polícia e transformá-la em uma polícia comunitária, com treinamentos diversos. Quem é que hoje sustenta essas máfias? A polícia, com seus armamentos, apenas fazendo essas operações que entram e deixam corpos estendidos no chão, não resolveu e não vai resolver.”
Para a candidata, o crime organizado precisa ser desmantelado de outra forma, com investimentos em inteligência e cooperação com a Polícia Federal.
“As armas e as drogas não são produzidas nas favelas; elas chegam lá através das fronteiras. Queremos fazer um processo invertendo a lógica de matança e investindo em inteligência. O crime hoje está dentro das políticas e nas instituições. Prova disso é que, quando houve a cassação de Castro, não havia mais ninguém na linha sucessória para assumir o governo. Queremos acabar com essa cabeça.”
Para Juliete, o modelo de Polícia Militar é uma herança da ditadura militar.
“Nós não achamos que essa política de Estado mínimo serve para o povo. Onde há ausência do Estado, o crime organizado se instala de uma forma que se mantém. Para combater isso, precisamos da presença de um Estado de verdade, e não é só com a polícia. Precisamos de uma política acompanhada de educação, profissionalização e de todos os serviços que sejam ofertados.”
Educação
Sobre educação, Juliete, que também é educadora, pretende implantar o ensino integral em 100% da rede estadual, garantindo que os filhos dos cidadãos fluminenses possam passar o dia na escola.
“Isso só vai poder ser feito com o piso do magistério, em escolas sem teto caindo, com ar-condicionado. Queremos também as 12 disciplinas, com a garantia de uma educação de qualidade”, disse.
Ela também destacou a importância da criação de vagas em creches para facilitar a autonomia e a independência econômica das mulheres.
A candidata reforçou ainda a necessidade de investimentos no ensino técnico, como na Faetec, além da oferta de serviços básicos em institutos federais, como o restaurante universitário.
“O Estado deve dar condições em parcerias federais, com as universidades e os IFs. A gente tem, por exemplo, escolas que não têm bandejão. Então, não adianta oferecer o ensino sem dar condições de permanência. O Estado pode garantir o bandejão e o passe livre intermodal para que os estudantes possam estar nessas escolas. O que acontece é que o Estado investe em qualquer outra coisa, naquilo que não vai resolver o problema. Podemos aprofundar.”
Juliete afirmou também que assinou uma carta do Sindicato dos Trabalhadores da Uerj para garantir uma sede própria da universidade em Duque de Caxias.
Concessões
Segundo a candidata, a população paga caro por serviços que deveriam ser essenciais. Por isso, ela defende a reestatização da Cedae.
“Desde a privatização da Cedae, inclusive, pagamos uma das tarifas mais altas de água, e isso é falta de competência do Estado. Eu moro na Zona Norte e não só as tarifas aumentaram, como também aumentou a falta de água. Ou seja, o governo não gere absolutamente nada. A nossa principal prioridade é garantir que o povo tenha qualidade de vida e emprego, com salário digno, para que tenhamos um Estado máximo. Aqueles que só querem lucrar não vão ter vez”, destacou.
Transporte e infraestrutura
A candidata destacou a necessidade de fortalecer uma política que priorize a expansão das vias do Rio, o fortalecimento das ferrovias, o aumento das linhas do metrô e a melhoria dos sistemas de trens.
“Temos que fazer com que a população possa se deslocar melhor, garantindo menos engarrafamentos. Esse é um dos principais problemas que a gente tem. Defendemos a estatização do transporte do RJ e a realização de um grande processo com o povo para investir na malha ferroviária e em projetos que liguem as indústrias aos espaços de produção.”
Ela citou também melhorias que precisavam ser feitas em outras regiões do estado.
“Na Região dos Lagos, temos um turismo fortíssimo, mas lá existe um problema grave com saneamento e água. Inclusive, a água é tirada dos bairros pobres e oferecida aos bairros mais ricos. Vamos investir nessas obras de infraestrutura e beneficiar todos. Queremos levar ensino profissionalizante também para essas regiões, garantir faculdades nesses territórios e uma formação que garanta profissionais.”
Ela destacou ainda um monopólio de serviços públicos que só prejudicam o trabalhador.
“Temos concessões com empresas privadas, que só conseguem garantir o básico e em condições ruins. No interior, no Norte e Noroeste e na Região dos Lagos, existe um monopólio gigantesco de empresas com passagens caras, que o Estado tem que subsidiar para a população andar na cidade. Se não, não consegue. Então, por que não podemos estatizar e fazer uma administração direta, com tarifa zero? Os custos de bilhetagem não são altos. Se você tem um sistema integrado, conseguimos ter um transporte eficiente, garantindo um fundo estadual de mobilidade urbana.”
Turismo
Ao defender investimentos no setor, Juliete afirmou que o turismo precisa ser descentralizado e acompanhado de políticas públicas que garantam infraestrutura, segurança e oportunidades para a população local.
“As pessoas que vêm para o RJ devem querer permanecer de fato. A questão concreta hoje é que temos um turismo localizado. A estrutura da cidade acaba se preparando apenas para essa região. Então, tudo isso que eu falei aqui vai garantir que a gente tenha uma estrutura não só para essa área.”
A candidata também criticou a associação do Rio ao turismo sexual e defendeu políticas de proteção às mulheres.
“O RJ é visto como destino turístico e, às vezes, sexual, colocando as mulheres como mercadorias, e isso é uma coisa que temos que inverter. Nós estamos vivendo em um estado onde mulheres foram vítimas de feminicídio. Então, precisamos construir um estado onde as mulheres se sintam seguras.”
Saúde pública
Na área da saúde, Juliete criticou a transferência da gestão para as OS e defendeu a ampliação do atendimento público, com a contratação de profissionais por meio de concursos. Segundo ela, a medida é necessária para reduzir filas e garantir o acesso da população a medicamentos e serviços básicos.
“A saúde não pode ser reduzida a uma mercadoria e, quando o Estado abre mão de gerir a saúde, ele está abrindo mão dela e transformando-a em uma mercadoria. Ela não vai para o usuário que precisa no hospital público; ela vai primeiro para a mão das OSs. E o que acontece são filas enormes para conseguir remédios básicos. Os médicos que atendem estão sobrecarregados porque faltam profissionais; faltam médicos e enfermeiros. A primeira coisa que vamos fazer é abrir concurso público para a área da saúde.”
Ao O DIA, a candidata frisou que o Rio precisa romper com um modelo de governo marcado pela corrupção e pelo afastamento da população das decisões.
“Queremos ampliar o controle popular sobre o orçamento e as políticas públicas, fortalecer os serviços essenciais com mais concursos para saúde e educação, ampliar o ensino integral, investir no acolhimento e na proteção das mulheres vítimas de violência e garantir que todas as delegacias especializadas funcionem 24 horas”, disse.
Ela voltou a destacar que pretende integrar o interior ao desenvolvimento do estado, enfrentando os monopólios do transporte, apoiando os pequenos produtores rurais e levando investimentos para quem mais precisa.
“Nossa proposta é governar ouvindo a população e fazendo com que o povo participe efetivamente das decisões que impactam sua vida.” afirmou.
