O Rio de Janeiro terá, em 2026, o menor número de candidatos em uma eleição desde 1998. Ao todo, são 2.017 candidaturas registradas, segundo levantamento divulgado pelo Diário do Rio. O número representa uma queda de 45% em relação ao recorde de 2018, quando 3.695 pessoas disputaram cargos no estado. Em 2022, foram 2.785 candidatos.
A redução está concentrada principalmente nas eleições proporcionais, para deputado federal e deputado estadual. Juntas, as duas disputas reúnem 97% dos registros: são 783 candidatos à Câmara dos Deputados e 1.168 à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Na disputa majoritária, são nove candidatos ao governo do estado, nove a vice-governador e 16 ao Senado. Cada candidatura ao Senado é acompanhada por dois suplentes.
Mudanças nas regras reduziram número de candidaturas
A queda no número de candidatos não significa, necessariamente, uma redução do interesse pela disputa eleitoral. O principal fator está nas mudanças nas regras partidárias.
Uma delas é a criação das federações partidárias, que passaram a valer a partir de 2022. Nesse modelo, partidos aliados precisam apresentar uma chapa conjunta para as eleições proporcionais e dividir entre si o limite de candidaturas que antes poderia ser utilizado individualmente por cada legenda.
Outro fator é a cláusula de desempenho, que estabelece uma votação mínima para que os partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral. As legendas que não atingem os critérios ficam em desvantagem, o que contribuiu para reduzir o número de partidos competitivos e, consequentemente, o tamanho das chapas.
Perfil dos candidatos
O levantamento também mostra o perfil dos concorrentes nas eleições deste ano.
Os homens são maioria entre os candidatos. Em relação à idade, quase metade dos concorrentes tem entre 45 e 59 anos.
Mais da metade dos candidatos se declara preta ou parda. Na escolaridade, 48% concluíram o ensino superior e outros 11% chegaram a cursar uma faculdade, mas não concluíram. Os demais têm escolaridade abaixo desse nível.
Menos candidatos não significa menos disputa
Apesar da redução no número de candidaturas, a eleição não deve ser necessariamente menos competitiva. Com as regras atuais, a tendência é de maior concentração das disputas em partidos e federações mais estruturados, capazes de cumprir as exigências eleitorais e alcançar os resultados necessários para garantir acesso a recursos e tempo de propaganda.
Na prática, o eleitor deverá encontrar uma lista mais enxuta de nomes, principalmente nas disputas para deputado. Ao mesmo tempo, partidos menores terão mais dificuldades para se manter competitivos dentro do atual sistema eleitoral.
