Em março, Leonardo Jardim foi anunciado como técnico do Flamengo, poucos meses após deixar o Cruzeiro alegando motivos pessoais. A quebra da promessa de só treinar o clube celeste no Brasil revoltou a torcida mineira, que não poupou as vaias no encontro entre as equipes no Maracanã, pelo Brasileirão. Mas ainda faltava um reencontro mais “apropriado”. Agora também pressionado no rubro-negro, o português será ponto focal no Mineirão hoje, quando cariocas e mineiros abrem o confronto das oitavas de final da Libertadores, a partir das 21h30.
— Com certeza, será um jogo entre duas equipes que têm uma massa muito grande. Espero o Mineirão lotado. Temos que saber jogar o nosso jogo dentro de campo. É uma competição muito importante para o clube, já ganhou quatro em sua história. Nossa ambição é sempre igual — desconversou Jardim, ao ser perguntado sobre o reencontro.
Os ingressos estão esgotados, e mais de 60 mil torcedores são esperados para a primeira metade dos 180 minutos que se definirão no Rio de Janeiro na próxima quarta-feira. Mas, para além da hostilidade externa, Jardim tem muito mais a se preocupar dentro da própria cozinha. O período pós-Copa do Mundo do Flamengo é marcado por desempenho irregular.
O rubro-negro retornou com o pé na porta com a goleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense, mas os empates diante de São Paulo e Internacional, ambos por 1 a 1, decepcionaram e ligaram o alerta antes de uma sequência de dez dias sem jogos. Contra o Vitória, o resultado de 2 a 0 mostrou que os treinos no período devolveram à equipe a intensidade e a capacidade de dominar as ações, mas os jogadores ainda pecaram nas finalizações.
A Libertadores ganha ainda mais valor para o rubro-negro por causa da queda precoce na Copa do Brasil, que deixa o clube com apenas duas frentes de disputa. Uma nova eliminação pode ter efeitos catastróficos na Gávea e no Ninho do Urubu, principalmente pelo investimento na temporada — a janela de transferências do início do ano representou um gasto recorde de R$ 495 milhões totais.
Internamente, acredita-se que o time pode voltar a subir de produção a partir do momento em que todo o elenco estiver novamente à disposição de Jardim e os comportamentos observados antes da Copa voltarem a ser reproduzidos com qualidade. Vale lembrar que o treinador levou o atual campeão da Libertadores a ter a melhor campanha geral da fase de grupos e terá a vantagem de decidir todos os confrontos do mata-mata até a semifinal em casa.
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Do outro lado, estará um treinador adversário em ascensão e que traz más lembranças ao Flamengo. Anunciado no Cruzeiro em março, Artur Jorge fez história no Botafogo em 2024, quando conquistou Libertadores e Brasileirão. Nos dois clássicos disputados com o Flamengo, conseguiu duas vitórias: por 2 a 0, no Maracanã, e uma goleada por 4 a 1, no Nilton Santos, muito lembrada pelos alvinegros.
Em pouco tempo no Cruzeiro, Artur levou o time da lanterna ao G5 do Brasileirão e conta com respaldo geral. A equipe segue viva nas três frentes na temporada e se mobilizou no mercado para o confronto da Libertadores. Enquanto o Fla não fez contratações, a Raposa fez seis (Gabriel Pec, Gabriel Rojas, Zé Lucas, Wesley, Lucho Rodríguez e João Costa), e só não poderá contar com Pec porque o atacante fraturou a perna esquerda.
Hoje, o Flamengo não contará com cinco jogadores: Vitão, com lesão na coxa esquerda; Alex Sandro, com tendinite na panturrilha direita; Everton Cebolinha, com quadro gripal; Luiz Araújo, em recondicionamento físico; e Wallace Yan, por opção técnica.
