Mutirão para reabrir o Lamas, restaurante mais antigo do Rio

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Palco principal de boa parte da história do Brasil, o Rio de Janeiro – capital seguidamente da colônia, do Império e da República até 1960 – viveu centenas de dias turbulentos: insurreições, tentativas de golpe, revoltas populares, greves gerais, quebra-quebras variados, grandes comoções públicas, manifestações políticas. Testemunha da história desde 1874, o restaurante mais antigo da cidade só fechou duas vezes em mais de um século e meio: durante um ou dois dias na Revolta da Vacina, em novembro de 1904, quando a cidade foi tomada por depredações do transporte, comércio e prédios públicos, com barricadas nas ruas contra a vacinação obrigatória; e no dia do enterro (26/08/1954) de Getúlio Vargas, frequentador da casa. Até 16 de junho passado, quando a cozinha do Café Lamas pegou fogo e obrigou o restaurante a fechar por tempo indeterminado.

Foi a quebra de uma tradição mais do que centenária – durante boa parte do século passado, o Lamas abria 24h, com os boêmios da madrugada encontrando os trabalhadores a caminho da labuta. Obrigado a fechar no seu ponto tradicional no Largo do Machado pelas obras do metrô, que atropelaram outros pontos da história carioca, o Lamas despediu-se do ponto num dia de 1974 e, na seguinte seguinte, já havia reaberto, a pouco mais de 500 metros, na rua Marquês de Abrantes, no vizinho Flamengo. No começo da pandemia, em 2020, o restaurante cerrou as portas por três meses, como todos, mas manteve o serviço de entregas funcionando para a Zona Sul.

O Lamas fechado em plena hora do almoço: tradição de mais de 150 anos interrompida por incêndio na cozinha —Foto: Oscar Valporto

O incêndio de junho de 2026 ficou limitado à cozinha e não houve feridos: os proprietários chegaram a achar que seria possível reabrir logo, mas há mais coisas a reconstruir, pintar e reestruturar. Com a reforma do Café Lamas orçada em R$ 2 milhões e o restaurante sem faturamento e ainda negociando a indenização com a seguradora, 25 bares do Rio de Janeiro e também de São Paulo fizeram entre sexta (31/07) e o domingo (02/08) uma campanha com a venda de petiscos específicos toda revertida para a vaquinha já lançada pelos proprietários. Aderiram à iniciativa alguns dos mais queridos e populares botequins cariocas.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/mutirao-reabrir-lamas-restaurante-mais-antigo-rio/

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