As “Cascatas de Sangue” (Blood Falls) ue escorrem da Geleira Taylor para o Lago Bonney, na Antártica, fascinam pesquisadores há muito tempo devido à sua aparência semelhante a sangue.
Um novo estudo revelou o que está um novo segredo associado fenômeno: o local abriga descendentes de antigas criaturas marinhas.
Em artigo publicado na revista “Nature Geoscience”, os 11 pesquisadores de universidades dos EUA e da Suécia descreveram o local como “um raro refúgio marinho no deserto polar”.
De acordo com os cientistas, a salmoura rica em ferro, que emerge debaixo do gelo, é o lar de uma comunidade única de microrganismos marinhos que permaneceram presos sob a geleira por centenas de milhares de anos.
Entre eles estão diatomáceas marinhas, haptofitas, dinoflagelados e ciliados — organismos minúsculos que habitam normalmente o oceano. O estudo também constatou que muitos dos microrganismos permanecem biologicamente ativos, apesar de sobreviverem em um dos ambientes mais hostis da Terra.
Evidências genéticas mostraram que microrganismo realizavam fotossíntese, reparavam células danificadas e ativavam sistemas de resposta ao estresse para lidar com as condições de frio intenso e alta salinidade sob o gelo. Algumas espécies podem sobreviver entrando em estados de dormência, aguardando até que as condições se tornem favoráveis novamente.
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Trata-se de descendentes de antigas comunidades marinhas que ficaram isoladas quando a geleira avançou e separou a água do mar aprisionada do oceano. A descoberta fornece a evidência biológica mais sólida até o momento de que a água misteriosa veio originalmente do mar, antes de ser selada sob o avanço do gelo.
“Essas descobertas indicam que o sistema subglacial alimentado por salmoura, na extremidade da Geleira Taylor, preserva assinaturas biológicas de origem marinha muito tempo após a separação física do oceano”, declararam os autores do estudo.
O que são as ‘Cascatas de Sangue’?
As “Cascatas de Sangue” devem sua cor aterrorizante à água salgada rica em ferro, que oxida ao entrar em contato com o ar, criando a característica mancha vermelho-sangue na geleira. Cientistas suspeitavam há muito tempo que a salmoura fora, originalmente, água do mar que inundou o Vale Taylor durante um período mais quente, antes de o nível do mar baixar e a geleira avançar sobre a área.
Até agora, no entanto, havia poucas provas biológicas de que a água aprisionada tinha, de fato, origem marinha.
Os pesquisadores analisaram 167 amostras de água, sedimento, gelo e ar coletadas nos Vales Secos de McMurdo e áreas adjacentes da Antártica. Por meio do sequenciamento de DNA, identificaram milhares de microrganismos diferentes vivendo nas Blood Falls e em seu entorno.
A equipe descobriu que o gelo vermelho, a lama e os sedimentos onde a cachoeira emerge estavam repletos de espécies normalmente encontradas em ambientes marinhos, e não em terra firme ou em água doce. No total, 9,34% dos microrganismos das “Cascatas de Sangue” eram compartilhados com amostras oceânicas próximas, em comparação com apenas 1,15% em outros locais dos Vales Secos da Antártida.
Os pesquisadores afirmam que essa forte assinatura marinha seria difícil de explicar apenas pelo transporte de micróbios do litoral para o interior do continente pela ação do vento.
Pesquisadores afirmam que esses ecossistemas ocultos podem revelar como a vida sobrevive a mudanças climáticas drásticas ao longo de centenas de milhares de anos.
As descobertas também podem ajudar cientistas a reconstruir a história antiga da Antártica, revelando quando a água do mar ficou aprisionada sob a camada de gelo em expansão.
‘Cascata de Sangue’ da Antártica
Reprodução/Wikimedia Commons
Há visitação?
Visitar as “Cascatas de Sangue” é possível, porém raro. O acesso aos Vales Secos é altamente regulado e costuma ocorrer por helicóptero a partir de bases antárticas, principalmente em missões de pesquisa.
Expedições civis especializadas podem oferecer sobrevoos ou aproximações pontuais, com alto custo e logística complexa.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/08/cascatas-de-sangue-da-antartica-abrigam-descendentes-de-antigas-criaturas-marinhas-diz-estudo.ghtml
'Cascatas de Sangue' da Antártica abrigam descendentes de antigas criaturas marinhas, diz estudo
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