Interior fluminense no eixo do crime no Norte e Noroeste | Campos

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Itaperuna é o maior município da região Noroeste Fluminense e lidera, de forma isolada, a letalidade violenta em nível estadual - Foto Decom/Divulgação




Itaperuna é o maior município da região Noroeste Fluminense e lidera, de forma isolada, a letalidade violenta em nível estadual
Foto Decom/Divulgação

Campos/Região – O Estado do Rio de Janeiro é frequentemente retratado no cenário nacional e internacional como o epicentro da violência armada no Brasil. Contudo, os relatórios consolidados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a narrativa pública por vezes destoa dos dados frios: estados das regiões Norte e Nordeste, como Amapá e Bahia, figuram com maior destaque nas taxas proporcionais de criminalidade.

Embora o Rio seja o terceiro estado mais populoso do país (com 17,2 milhões de habitantes), o real desafio atual da segurança pública reside na migração do crime organizado em direção ao interior, exigindo um redirecionamento permanente da inteligência policial com foco nas regiões Norte e Noroeste Fluminense.

Tanto o Fórum Brasileiro de Segurança Pública quanto o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) revelam uma nova geografia de contrastes marcantes. Nesse cenário, Itaperuna, localizada a cerca de 313 quilômetros da capital, desponta de forma alarmante.

Sendo o maior município do Noroeste Fluminense, com 101.041 habitantes distribuídos em uma área territorial de aproximadamente 1.106 km², a cidade lidera de forma isolada a letalidade violenta em nível estadual. O Anuário aponta uma taxa de 47,5 Mortes Violentas Intencionais (MVI).

SUPERA A CAPITAL – Trata-se de um índice que engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, o que a posiciona o município na 17ª colocação do ranking nacional. O indicador de Itaperuna supera com folga o da própria capital fluminense, que aparece na 100ª posição nacional com
22,7 mortes por 100 mil habitantes.

Em nota técnica, o 29º Batalhão de Polícia Militar (29º BPM) pondera que, em cidades de médio porte, pequenas variações no número absoluto de casos provocam oscilações drásticas nas taxas proporcionais. Ainda assim, as autoridades ligam o sinal de alerta máximo para a consolidação de rotas de tráfico interestaduais que cortam a região.

Em contrapartida, os vizinhos do Norte Fluminense apresentam cenários de maior estabilização ou controle setorial. Campos dos Goytacazes, maior extensão territorial do estado e principal polo econômico regional com cerca de 520 mil habitantes, ocupa a 16ª posição no ranking estadual, com uma taxa de 21,2 mortes por 100 mil pessoas.

PARTICULARIDADES – O controle estatístico na maior cidade do interior reflete o impacto de operações monitoradas pelas Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP). O cenário regional de controle é ainda mais evidente em Macaé, que registrou o menor índice de letalidade entre as grandes cidades do estado, com apenas 8,7 mortes por 100 mil habitantes.

Na mesma região, os índices de criminalidade geral em São João da Barra aparecem sob controle, de acordo com o ISP-RJ. Já São Francisco de Itabapoana, caracterizado por sua vasta extensão rural e cerca de 60 quilômetros de praias, enfrenta focos intermitentes de letalidade, geralmente associados a disputas locais ou incursões esporádicas de criminosos que cruzam as divisas estaduais.

O cruzamento de dados oficiais comprova que o interior fluminense vivencia dinâmicas criminosas particulares. Impulsionadas pela interiorização de organizações voltadas ao narcotráfico e por conflitos territoriais, cidades de médio porte assumiram de forma inédita o protagonismo dos índices de criminalidade letal do Estado do Rio de Janeiro.



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/campos/2026/08/7285302-interior-fluminense-no-eixo-do-crime-no-norte-e-noroeste.html

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