A polícia de Vientiane prendeu 122 pessoas — incluindo 26 brasileiros — durante ações coordenadas em sete casas no distrito de Sisattanak, na capital do Laos. A megaoperação integra um esforço nacional das autoridades para reprimir o cibercrime e redes de golpes virtuais, em meio ao avanço de scam centers no Sudeste Asiático e ao aliciamento de estrangeiros com promessas de emprego.
Além de cidadãos do Brasil, entre os suspeitos havia pessoas de China, Malásia, Mianmar, Uruguai e Paquistão. De acordo com as autoridades do Laos, os imóveis revistados pelos agentes ficavam na vila de Buengkhayong e pertenciam a uma empresa chamada CAMCE Investment (Lao) Co Ltd. Em uma só casa, havia 34 chineses; em outra, eram 31 habitantes, incluindo os brasileiros.
A ONG The Exodus Brasil trata os casos como tráfico humano. O Itamaraty não informa se os brasileiros são vítimas do crime, mas disse estar em contato com parentes dos detidos.
O jornal Laotian Times reportou que a megaoperação, realizada no último dia 11, foi a iniciativa mais recente de uma série de medidas do país para desmantelar “quadrilhas de golpes online, operações de jogos de azar ilegais e redes de fraude em telecomunicações”.
Em discurso na Assembleia Nacional no início de julho, o primeiro-ministro Sonexay Siphandone relatou que mais de 4.400 pessoas foram presas por suspeita de elo com crimes cibernéticos, golpes online e jogos de azar ilegais durante o primeiro semestre de 2026 — quase mil prisões foram registradas só em junho.
Organizações da sociedade civil, incluindo a Anistia Internacional e o United States Institute of Peace (USIP), têm alertado para a expansão do crime organizado em Mianmar, Camboja e Laos, com a “industralização” de operações fraudulentas em complexos residenciais. O três seriam o epicentro de tráfico de pessoas.
O Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontou que, no plano internacional, os casos de brasileiros se concentram principalmente no Camboja (44), onde a finalidade identificada é o tráfico para trabalho escravo em scam centers — descritos como “centros de fraudes digitais que submetem as vítimas a regimes de trabalho forçado para cometimento de delitos virtuais”.
Ainda segundo o documento, em 2024, as Filipinas figuravam como principal país de destino, seguidas pelo Laos; em 2025, ambos registraram participação marginal. O relatório aponta que a mudança poderia estar associada a operações realizadas no Sudeste Asiático entre 2024 e 2025, incluindo Mianmar, Laos, Filipinas e Malásia para desarticular essas organizações criminosas. Um dos principais desafios do combate ao crime, no entanto, é a subnotificação.
Em março, O GLOBO mostrou que dois brasileiros, sendo um deles natural de São Paulo e outro do Mato Grosso, de 41 e 44 anos, foram vítimas de tráfico humano no Camboja após aceitarem falsas proposta de emprego, segundo relatos de familiares. Os homens estavam em um complexo controlado por criminosos sendo obrigados a trabalhar aplicando golpes virtuais, sob ameaça e violência.
A vítima relatou que foi mantida em um centro de fraudes e submetida a jornadas de trabalho forçado de até 16 horas diárias para participar de esquemas de golpes online. Em uma ligação com a família, descreveu agressões físicas e punições com choques elétricos.
Para deixar o local, os criminosos supostamente exigem o pagamento de US$ 800 (o equivalente a cerca de R$ 4 mil, na cotação atual) valor que permitiria a devolução do passaporte.
Suspeitas de tráfico humano
Casos como esse têm se tornado mais frequentes. Segundo o Itamaraty, o Sudeste Asiático se consolidou como um dos principais destinos de brasileiros aliciados por falsas ofertas de emprego, especialmente em áreas ligadas a tecnologia e telemarketing.
Nesses esquemas, vítimas são recrutadas pelas redes sociais com promessas de altos salários e benefícios, mas acabam em centros controlados por organizações criminosas, onde são obrigadas a aplicar fraudes digitais.
Essas estruturas, conhecidas como “fábricas de golpes”, operam em países como Camboja, Mianmar e Laos e estão frequentemente associadas ao tráfico humano e ao trabalho forçado.
O governo brasileiro orienta que cidadãos desconfiem de propostas de emprego no exterior com ganhos elevados e contratação rápida, sobretudo quando intermediadas por contatos informais ou redes sociais.
Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/07/23/brasileiros-sao-presos-em-megaoperacao-contra-rede-de-golpes-virtuais-no-laos-ong-suspeita-de-trafico-humano.ghtml
Brasileiros são presos em megaoperação contra rede de golpes virtuais no Laos; ONG suspeita de tráfico humano

Nenhum comentário
