MPF aponta irregularidades e pede suspensão imediata do programa Tolerância Zero

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O Ministério Público Federal (MPF) ingressou nesta sexta-feira (17) com um pedido de tutela de urgência na Justiça Federal para suspender os efeitos do programa “Tolerância Zero” nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.

A ação, assinada pelo procurador da República Julio José Araujo Junior e apresentada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, sustenta que a Prefeitura do Rio extrapolou competências da União e adotou medidas que violam direitos de trabalhadores ambulantes.

O programa, que entrou em vigor na quinta (16), foi criado pela prefeitura com o objetivo de combater a ocupação irregular do espaço público e a atuação de organizações criminosas no comércio informal das praias da Zona Sul da capital fluminense.

MPF aponta conflito de competência

Na ação, o MPF argumenta que a administração municipal não poderia implementar medidas permanentes de ordenamento e fiscalização nas orlas sem a formalização de um Termo de Adesão à Gestão de Praias com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), uma vez que esses espaços pertencem constitucionalmente à União.

Segundo o órgão, embora o município possua esse tipo de acordo para outras áreas do litoral carioca, como Barra da Tijuca e Sepetiba, não existe convênio firmado para as praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.

O Ministério Público afirma ainda que a própria Secretaria de Patrimônio da União informou, por meio de ofício, que não foi consultada nem participou da elaboração do programa.

Críticas às operações

Outro ponto questionado na ação é a forma como o programa trata os vendedores ambulantes. Para o MPF, as medidas acabam criminalizando toda a categoria ao associá-la, de forma generalizada, à atuação de organizações criminosas.

O procurador sustenta que, sob a justificativa de combater grupos que cobram taxas ilegais dos comerciantes, as operações têm resultado na remoção forçada de trabalhadores e na apreensão imediata de mercadorias, afetando pessoas que dependem exclusivamente dessa atividade para garantir sua subsistência.

Busca por uma solução conjunta

Além da suspensão imediata do decreto, o MPF pede que a Justiça determine a adoção de medidas para construir uma solução conjunta para o ordenamento das praias.

Entre as solicitações está a criação, em até 30 dias, de uma mesa de diálogo com representantes da Prefeitura do Rio, da União e das entidades que representam os ambulantes, com o objetivo de elaborar um plano de transição para o setor.

No mérito da ação, o Ministério Público também requer que os entes públicos sejam obrigados a formular, no prazo de seis meses, uma política pública definitiva e participativa para organizar o comércio nas praias, conciliando o uso do espaço público com a garantia do direito ao trabalho dos vendedores ambulantes.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/mpf-suspensao-programa-tolerancia-zero/

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