Foram 36 dias desde a apresentação da seleção, ainda em Teresópolis (RJ), para começar os preparativos para a Copa do Mundo, até a primeira entrevista coletiva de Endrick. O atacante iniciou o Mundial como a grande febre entre os torcedores brasileiros, que fizeram campanha para vê-lo em campo. Até por isso, a CBF segurou o dia em que ele seria bombardeado de perguntas. Nesta quinta, depois de atuar por todo o 2º tempo na vitória sobre o Japão, esta espera acabou.
— Sou muito agradecido à Deus por tudo que ele faz na minha vida e ter chegado tão jovem na seleção. Já fazem três anos que venho, e fico muito agradecido. É uma responsabilidade que sei que tenho, mas tenho que seguir fazendo meu trabalho para voltar sempre. Esse é o lugar que sempre quero estar para representar meu país e ajudar a seleção — disse o atacante ao abrir a entrevista, antes do início das perguntas dos jornalistas.
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Logo de cara, como era de se esperar, Endrick foi perguntado se “está chegando a hora” de ser titular na Copa do Mundo. Mesmo jovem, com apenas 19 anos, o atacante despistou com uma resposta digno de um atleta experiente.
— Já sou muito agradecido de estar aqui. Para mim já é uma vitória estar com a seleção brasileira disputando uma Copa do Mundo. Acho que tem 26 jogadores aqui que estão loucos para jogar e ajudar, e todos estão preparados. Se não estivessem, não estariam aqui. Então todos esperam a oportunidade e eu vou esperar o Mister, que vai fazer o melhor para a equipe. Se Deus quiser faremos um bom jogo e passaremos de fase — falou Endrick.
Essa não foi a única resposta “de gente grande” vinda do jovem que chamou a atenção. Em relação ao confronto contra a Noruega, Endrick se mostrou bem tranquilo com a possibilidade de ser titular ou iniciar a partida no banco de reservas.
— Eu acho que vou dormir como um bebê (na véspera do jogo). Vou ficar tranquilo porque, antes de dormir, acho que o mais importante é fazer a minha oração, conversar com Deus e ficar tranquilo que as coisas vão acontecer no momento certo — cravou.
Relação de longa data com Ancelotti
Juntos na seleção brasileira com a missão de buscar o hexacampeonato mundial, Endrick e Ancelotti já se conhecem há tempos. Quando o atacante chegou ao Real Madrid, em 2024, o italiano era o técnico da equipe.
— Tê-lo como treinador chegando na Europa foi uma das melhores experiências. Foi incrível para mim. Pude aprender muitas coisas com ele e o estafe, que é muito bom. Aqui na seleção não é diferente. Fico feliz por isso. Acho que não tem encaixe melhor de treinador para fazer o grupo se dar bem e evoluir, que é o que está acontecendo aqui na Copa do Mundo — valorizou Endrick.
Jogador mais jovem da seleção brasileira, com 19 e prestes a completar 20 anos, Endrick falou sobre a relação que tem com Neymar e com os outros jogadores mais experientes do time.
— Tenho uma relação muito boa com o Ney. Ficamos brincando depois dos treinos, jogamos cartas, resenhamos. Pude estar com ele na folga, conversamos… É importante conversar com os capitães. Não só ele, mas o Marquinhos, Casemiro, Alisson… Pegar experiência com eles é uma coisa maravilhosa. Desde o Palmeiras, eu sempre fiz isso.
Na outra moeda, o atacante também detalhou os momentos especiais vividos ao lado dos mais novos. Com Rayan, por exemplo, a amizade é de longa data: desde as categorias de base. Igor Thiago, de 25 anos, fecha o trio inseparável.
— Nós nos enfrentamos na Copa do Brasil sub-17, fomos para a seleção juntos… Então já tínhamos essa amizade. Temos conversado bastante, eu, ele e o (Igor) Thiago. Ficamos juntos, sempre na resenha. Acho que o que podemos agregar para a equipe é sempre darmos a vida, porque não imaginávamos estar aqui com 19 anos. Então, quando estivermos em campo, vamos fazer de tudo para ajudar o time e fazer o que o Mister pedir. É uma vitória estar aqui, mas temos que fazer por merecer. São jogos importantíssimos onde não há margem de erro. Pude fazer isso no último jogo, Rayan vem fazendo como titular, e vamos continuar dando o máximo para ajudar a seleção — afirmou.
Endrick chegou à Copa como um dos xodós da torcida, ao lado de Rayan. Mas só ele virou uma trend nas redes sociais. Foram memes e até campanhas publicitárias pegando carona no debate em torno de sua utilização. O atacante procurou lidar com naturalidade durante este período.
Sua estreia, na Filadélfia, contra o Haiti, foi discreta. Mas, contra os japoneses, ele ajudou a seleção a pressionar o adversário e buscar a virada. Agora, é um dos candidatos à vaga de Lucas Paquetá, que lesionou a coxa esquerda e não tem previsão de retorno.

