Transparência zero: processo de indicação para o comando da empresa estadual Central Logística está totalmente fechado ao cidadão

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O processo de escolha do novo comando da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central Logística) virou uma caixa-preta. Tramitando sob o número SEI-150001/006830/2026, o procedimento que trata da indicação de Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes para o cargo de diretor-presidente está inteiramente blindado, operando sob regime de transparência zero.

Nos registros do Sistema Eletrônico de Informações do governo do estado, os documentos receberam tarja de “acesso restrito”. Na prática, isso significa que o cidadão comum está proibido de fiscalizar ou acompanhar os bastidores dessa indicação crucial para o setor de transportes fluminense.

Até o currículo do indicado está entre os documentos restritos

Entre a lista de protocolos bloqueados com ícones de chave amarela (indicando restrição de sigilo), encontram-se o currículo do indicado, questionários, declarações, certidões e, mais recentemente, atas de reuniões e anexos gerados pela comissão da Central Logística entre os dias 16 e 17 de junho de 2026.

A blindagem do processo vai na contramão do discurso oficial do próprio governo.

O governador em exercício Ricardo Couto sempre defendeu publicamente que os atos da administração estadual devem ser rigorosamente transparentes. No entanto, na prática, a nomeação para a chefia de uma estatal fundamental está trancada a sete chaves.

Em 2021, TCE-RJ chegou a aplicar punição de multa e restrição a cargos públicos a Luiz Claudio

O indicado para o comando da Central Logística acumula episódios conturbados recentes e passados. Em abril de 2026, Luiz Claudio deixou o cargo de secretário de Fazenda de Minas Gerais após exonerar a cúpula da Corregedoria da Fazenda sem o conhecimento do governador, gerando uma crise institucional. Em solo mineiro, seu salário de R$ 44 mil mensais também gerava forte desgaste por superar os vencimentos do próprio chefe do Executivo.

No Rio de Janeiro, seu histórico inclui uma punição com multa e restrição a cargos públicos aplicada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), em 2021, por irregularidades na previdência estadual, além de ter sido citado no relatório da CPI do Rioprevidência na Alerj devido à polêmica “Operação Delaware”.

Quando foi secretário de Fazenda fluminense, em 2018, ele também travou embates com o Ministério Público ao negar o envio de cópias de processos de incentivos fiscais de ICMS sob a alegação de sigilo — uma postura de fechamento de dados que parece se repetir agora no processo de sua nova indicação.

Luiz Cláudio informa que não há processo administrativo ou judicial referente à Operação Delaware

O auditor Luiz Cláudio argumenta que nenhuma das denúncias contra ele prosperou.

“Como servidor de carreira do Tesouro Nacional, meu salário está enquadrado no teto federal de R$ 44 mil, como limita a legislação. Não existe processo administrativo ou judicial contra mim referente à Operação Delaware, mesmo 14 anos depois dela ter sido realizada. A CPI do Rioprevidência se refere a uma operação realizada com o Banco do Brasil cujo relatório não foi recebido pela própria Alerj”, disse, em nota.

A assessoria de Comunicação do governo do estado também enviou uma nota.

“A indicação foi analisada pelos mecanismos de integridade e compliance do governo do estado, que emitiram parecer favorável. O governo do estado não identificou qualquer fato que comprometa sua reputação ou que represente impedimento legal para sua nomeação”.

Se não há problema algum, porque então o processo está fechado?

Central Logística é a responsável por fiscalizar os grandes contratos de concessão rodoviária e ferroviária

O processo chama a atenção por causa da relevância da Central Logística.

O novo diretor-presidente herdará a responsabilidade estratégica de fiscalizar os grandes contratos de concessão rodoviária e ferroviária do estado, incluindo a Nova Via Mobilidade, o consórcio privado que assumiu recentemente a gestão e a operação de todo o sistema de trens urbanos, sob a marca TrensRJ.

COM FÁBIO MARTINS

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Com informações da fonte
https://temporealrj.com/central-logistica-sigilo/

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