A audiência sobre o orçamento do Estado virou desabafo de quem está na linha de frente. O prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, fez um alerta direto: sem investimento pesado em infraestrutura, cidades grandes estão ficando para trás.
Durante reunião na Alerj, nesta segunda (1º), o prefeito escancarou a realidade de quem administra uma das maiores cidades do estado.
“O DINHEIRO NÃO DÁ”
Com cerca de 850 mil habitantes e orçamento de R$ 2,7 bilhões, Nova Iguaçu enfrenta um desafio brutal:
“Quando você divide, dá menos de R$ 3.300 por pessoa por ano. É muito pouco para investir e mudar a vida das pessoas”, afirmou.
Segundo ele, a conta fecha para manter a máquina funcionando — mas não sobra para obras estruturais.
BAIXADA NO FUNDO DO RANKING
O recado mais duro veio quando o assunto foi desigualdade regional.
Dudu Reina destacou que a Baixada Fluminense — com 13 municípios e cerca de 4 milhões de habitantes — concentra os piores índices de investimento do estado.
“Quando você olha o ranking dos 92 municípios, a Baixada domina as últimas posições. A gente precisa de um olhar diferenciado”, cobrou.
ENCHENTES TODO ANO E PROMESSAS ANTIGAS
Outro ponto crítico: as chuvas de verão.
O prefeito relatou que, todos os anos, moradores perdem tudo por causa das enchentes — especialmente na região do Rio Botas, que corta cidades como Nova Iguaçu, Belford Roxo e Duque de Caxias.
Projetos antigos, como o Iguaçu, seguem sem solução definitiva.
“É um problema que vem desde os anos 80. Começa obra, para, recomeça… e a mudança real nunca chega”, disse.
“SOZINHO A GENTE NÃO CONSEGUE”
No fim, o apelo foi direto ao Estado e ao parlamento:
“Os prefeitos conseguem manter o dia a dia, pagar as contas. Mas mudar a realidade da população, sozinho, não dá.”
A fala ecoou o sentimento de outros gestores presentes, como Tande Vieira, Léo Pelanca e José William, que também cobraram mais atenção aos municípios.
RECADO DA BAIXADA
A mensagem que saiu da Alerj foi clara: sem investimento em infraestrutura, drenagem e urbanização, a conta vai continuar chegando — todo verão — para quem mais precisa.
E, por enquanto, quem está pagando é a população.

