TCE-RJ investiga suspeita de cartel em licitação de R$ 230 milhões para radares em rodovias estaduais

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O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) abriu investigação para apurar possíveis irregularidades na licitação conduzida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) para a instalação de 302 novos radares eletrônicos em rodovias estaduais. O caso envolve contratos que somam mais de R$ 230 milhões e podem chegar a quase R$ 1 bilhão em caso de prorrogação por até dez anos.

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A suspeita ganhou força após a divulgação de que a diferença entre a proposta vencedora de um dos lotes — apresentada pela empresa Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda, no valor de R$ 78,5 milhões — e a segunda colocada, a CLD Construtora Laços Detectores e Eletrônica Ltda, foi de apenas um centavo. A análise das atas do pregão também revelou uma sequência de lances com valores extremamente próximos e alternância considerada atípica entre os participantes, o que levanta dúvidas sobre a efetiva competição no certame.

O deputado estadual Vitor Júnior (PDT) protocolou representação formal no TCE-RJ e levou o caso ao plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo o parlamentar, as duas empresas envolvidas atuam juntas em consórcios em outros estados, como São Paulo e Amazonas, onde uma delas já responde a investigação por suspeita de desvio de mais de R$ 100 milhões. “Não houve concorrência. Foi uma licitação direcionada”, afirmou o deputado.

A licitação foi realizada em outubro de 2024, mas o resultado só foi homologado e publicado no Diário Oficial em fevereiro de 2026. Mesmo sob investigação, a instalação dos novos equipamentos já foi iniciada. Com a conclusão do contrato, o número de radares nas rodovias estaduais saltará de 88 para 390. Os equipamentos serão distribuídos nas regiões Metropolitana, Sul Fluminense, Serrana, dos Lagos, Costa Verde e Norte Fluminense.

Após analisar a denúncia, o TCE-RJ determinou que o DER apresente esclarecimentos em cinco dias. A decisão foi assinada pela conselheira Andrea Siqueira Martins, que também encaminhou o caso à Secretaria-Geral de Controle Externo e ao Ministério Público de Contas.

Radares chegam, obras ficam paradas

A expansão dos radares acontece num cenário de abandono das estradas estaduais que cortam Maricá. A RJ-106, principal via de acesso ao município e que conecta a cidade à Região Metropolitana do Rio, está há mais de um ano com as obras de recapeamento paralisadas. Trechos em estado crítico de conservação convivem com motoristas multados por equipamentos eletrônicos instalados no mesmo corredor viário.

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Para moradores e motoristas que trafegam diariamente pela rodovia, a contradição é evidente: o estado avança na fiscalização eletrônica — e em contratos bilionários para isso — mas não cumpre com a manutenção básica da malha rodoviária. A RJ-106 segue esburacada, sem previsão de retomada das obras, enquanto o número de radares na pista deve crescer.





Com informações da fonte
https://maricainfo.com/2026/05/12/tce-rj-investiga-suspeita-de-cartel-em-licitacao-de-r-230-milhoes-para-radares-em-rodovias-estaduais.html

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