O projeto Ilhas do Rio, que há 15 anos monitora a biodiversidade marinha do Monumento Natural das Ilhas Cagarras, no litoral carioca, passou a integrar oficialmente o Programa Monitora, iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) voltada à padronização e ao acompanhamento ambiental em unidades de conservação federais de todo o país.
A parceria marca a entrada do monitoramento realizado nas Cagarras em uma rede nacional de produção de dados científicos sobre biodiversidade. Segundo o ICMBio, o Programa Monitora reúne informações ambientais de mais de 125 unidades de conservação federais, criando séries históricas que ajudam na formulação de políticas públicas e estratégias de preservação ambiental.
A primeira campanha do programa no litoral do Rio, realizada no início de abril, já trouxe resultados considerados relevantes pelos pesquisadores. Entre eles, o registro de espécies ameaçadas de extinção, a identificação de organismos endêmicos do litoral brasileiro e uma grande agregação da raia viola-de-focinho-curto (Zapteryx brevirostris), espécie classificada como ameaçada.
Durante as atividades de campo, os pesquisadores também encontraram uma rede de arrasto abandonada sobre o principal ponto de concentração das raias, evidenciando os impactos da chamada ‘pesca fantasma’ — quando equipamentos de pesca descartados continuam capturando e matando animais marinhos.
“Com a adesão ao Monitora, os dados coletados pelo Ilhas do Rio passam a colaborar com protocolos nacionais, fortalecendo a produção de séries históricas sobre a biodiversidade marinha. A iniciativa também subsidia decisões de gestão ambiental e amplia a capacidade de monitoramento em uma das áreas mais sensíveis e pressionadas do litoral brasileiro”, observou Áthila Bertoncini, coordenador de pesquisas de peixes do Ilhas do Rio.
O Monumento Natural das Ilhas Cagarras é considerado uma das áreas marinhas mais importantes do litoral fluminense. A unidade de conservação abriga aves marinhas, tartarugas, golfinhos e centenas de espécies de peixes e invertebrados, além de funcionar como área estratégica para alimentação, reprodução e abrigo da fauna marinha.
Criado pelo ICMBio, o Programa Monitora atua em ambientes terrestres, aquáticos continentais e marinho-costeiros, buscando integrar informações científicas e fortalecer ações de conservação ambiental em diferentes biomas brasileiros.

