O ortopedista Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo detalha os critérios que orientam a indicação de cirurgia e as alternativas disponíveis
A maior parte das doenças da coluna não exige cirurgia. Em muitos casos, o controle da dor e a recuperação funcional são alcançados com tratamento conservador, que inclui fisioterapia, exercícios, ajustes de postura e uso de medicação.
No entanto, uma parcela dos pacientes não apresenta resposta satisfatória a essas medidas. Nesses casos, a cirurgia passa a ser considerada como parte da estratégia terapêutica.
Critérios para indicação cirúrgica
A principal indicação ocorre quando há falha do tratamento conservador. De forma geral, se após cerca de seis semanas de acompanhamento adequado não houver melhora clínica relevante, o procedimento pode ser avaliado.
Existem, ainda, situações em que a cirurgia deve ser considerada com maior rapidez:
- perda de força em membros
- dor intensa refratária ao tratamento clínico
- recorrência frequente dos sintomas
- comprometimento significativo da qualidade de vida ou da capacidade laboral
Quadros com déficit neurológico, como perda de força, exigem atenção imediata, pois o atraso na intervenção pode resultar em sequelas permanentes.
Alternativas antes da cirurgia
Quando o tratamento conservador não é suficiente, mas ainda não há indicação cirúrgica imediata, podem ser adotadas abordagens intermediárias.
Os bloqueios analgésicos são uma dessas opções. A técnica consiste na aplicação de anestésico e corticoide na região afetada, com o objetivo de interromper o estímulo doloroso. Em alguns casos, a rizotomia por radiofrequência pode ser indicada para prolongar o efeito.
A medicina regenerativa também vem sendo utilizada, embora ainda demande avaliação criteriosa quanto à indicação e à evidência científica disponível.
Avanços nas técnicas cirúrgicas
As cirurgias de coluna passaram por avanços importantes nos últimos anos. Procedimentos minimamente invasivos têm reduzido o tempo de recuperação e o impacto sobre os tecidos.
A cirurgia endoscópica é atualmente uma das principais opções para descompressão neural. Já a artroplastia é indicada, sobretudo, em pacientes mais jovens, por preservar o movimento da coluna. Em casos de artrose, deformidades ou fraturas, a artrodese segue como técnica consolidada, podendo também ser realizada por via minimamente invasiva.
Decisão individualizada
A indicação cirúrgica deve ser sempre individualizada. A decisão considera não apenas os achados clínicos e de imagem, mas também o impacto dos sintomas na rotina e as expectativas do paciente.
O objetivo do tratamento é restabelecer a função, aliviar a dor e garantir qualidade de vida com a abordagem mais adequada para cada caso.
Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo – CRM 18057 DF – RQE 13832 TEOT – 14.484
Ortopedista do Núcleo de Coluna do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília

