Palácio Tiradentes faz 100 anos: do passado colonial ao coração da política do Rio de Janeiro

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O Palácio Tiradentes, na Praça Quinze, completa 100 anos na próxima quarta-feira (6) cercado de lembranças que ajudam a explicar a formação política do Brasil. Sede histórica da Câmara dos Deputados e, posteriormente, da Assembleia Legislativa do do Rio (Alerj), o edifício ocupa um dos terrenos mais simbólicos do país.

Projetado em estilo eclético, com inspiração no Grand Palais de Paris, o palácio vai além da arquitetura monumental e conquista seus visitantes por ser um berço de memória da política nacional no Rio de Janeiro.

Grand Palais, em Paris, que inspirou a arquitetura do Palácio Tiradentes – Foto: Reprodução/Internet

Local abrigou a Casa de Câmara e Cadeia durante o ‘Brasil Colônia’

Muito antes do palácio atual, o local já concentrava poder, com a construção do primeiro edifício em 1640, que sediou a antiga Casa de Câmara e Cadeia, que reunia funções administrativas e de controle social.

O historiador Douglas Liborio, doutorando pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor de livro sobre o tema, explica que a área da Praça Quinze já era estratégica desde o período colonial. “Aquela região era conhecida como ‘Largo do Paço’ e foi um três grandes centros políticos, cívicos e administrativos do Rio”.

Segundo ele, a união entre Câmara e cadeia tinha um significado político por ser “um símbolo do domínio português e uma forma de controle da Coroa” em todos os sentidos.

Foi nesse espaço que o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ficou preso por três dias antes de seguir para sua execução, em 21 de abril de 1792.

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Cadeia Velha – Foto: Augusto Malta

Construção do Palácio Tiradentes custou metade do valor do Palácio Pedro Ernesto

A virada para o atual Palácio Tiradentes começa em dezembro de 1921, quando o presidente Epitácio Pessoa sanciona a lei que autoriza a obra. No ano seguinte, a antiga cadeia é demolida e, em 6 de maio de 1926, o prédio é inaugurado como sede da Câmara dos Deputados.

Apesar da imponência, o contexto político e econômico era desafiador, o que ajuda a explicar por que o palácio custou cerca de metade do valor do Palácio Pedro Ernesto, atual Câmara de Vereadores. “Foi um período pós-Primeira Guerra Mundial, de contração econômica, que não é positivo”, observa Liborio, que destaca a instabilidade interna durante o governo de Artur Bernardes, com estado de sítio e tensão com o Parlamento.

Diante disso, foi necessário adaptar o projeto. “O presidente da Câmara dos Deputados à época solicitou às unidades da federação contribuições em materiais, mobiliário e obras de arte para viabilizar o palácio”, explicou o historiador.

Liborio explicou que a técnica utilizada foi essencial para viabilizar a construção: “o prédio adota o concreto armado, que era uma técnica inovadora e mais barata, permitindo reduzir custos”. Ele defende que “a construção do Palácio Tiradentes é inovadora do ponto de vista econômico e técnico”.

Ditadura e propaganda durante o Estado Novo

O palácio foi sede da Câmara dos Deputados entre 1926 e 1960, recebendo posses presidenciais de Washington Luís a Juscelino Kubitschek.

Porém, durante o Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas, o Parlamento foi fechado e o prédio passou a abrigar o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Liborio lembra que o espaço foi profundamente alterado nesse período. “A sala da presidência virou gabinete do diretor do DIP e áreas de convivência dos deputados foram transformadas em espaços de transmissão da ‘Hora do Brasil’”, explica.

Um dos vestígios dessa fase permanece até hoje: o busto de Vargas no interior do prédio.

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Busto fica no Salão Getúlio Vargas, no hall de entrada do Palácio Tiradentes – Foto: Rafael Wallace/Alerj

As placas que contam histórias

Entre tantos elementos, há detalhes que passam despercebidos pela maioria dos visitantes e que, segundo Liborio, guardam algumas das histórias mais ricas do palácio.

Para o pesquisador, as placas espalhadas pelo edifício funcionam como registros vivos da memória política. Elas revelam disputas, homenagens e diferentes momentos históricos. No Salão Getúlio Vargas, por exemplo, a homenagem ao ex-presidente convive com referências a figuras como Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, refletindo visões políticas opostas.

Há também placas que registram marcos institucionais, como a fusão dos estados do Rio e da Guanabara, e homenagens a personagens históricos, como José do Patrocínio.

“Essas placas muitas vezes passam despercebidas, mas são objetos de memória”, resume Liborio. “Elas mostram como os espaços são transformados e como diferentes gerações escolhem lembrar a própria história”.

Ao completar um século de história, o Palácio Tiradentes segue de portas abertas ao público e oferece visitas guiadas de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, com último acesso às 16h20. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2588-1251.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/palacio-tiradentes-100-anos-alerj/

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