Violência contra mulher: novo estudo mostra que o Estado do Rio contabilizou 583 casos de violência, sendo 58 feminicídios

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Dados da última edição do boletim Elas Vivem: a urgência da vida, relizado pela Rede de Observatórios de Segurança, revelaram que 12 mulheres foram vítimas de violência a cada 24 horas em 2025, nos nove estados monitorados pelas organizações — AM, BA, CE, MA, PA, PE, PI, RJ e SP. Ao todo, foram registradas 4.558 vítimas, representando um aumento de 9% em relação a 2024. No Rio de Janeiro, os dados são alarmantes: o estado contabilizou 583 eventos de violência, sendo 58 mulheres vítimas de feminicídio.

Monitoramento e elucidação dos casos

Segundo o estudo, o aumento dos casos de violência sexual/estupro foi destaque em todo o país. Os registros tiveram um crescimento de 56,6%, de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas também expõe uma realidade cruel: 56,5% das vítimas eram crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.

Ainda de acordo com o monitoramento da Rede de Observatórios, as violências sexuais ocupam a posição de segunda maior qualificadora, com 95 registros, atrás apenas das tentativas de feminicídio e agressões físicas, com 240 casos. No estado do Rio, a letalidade é acentuada pelo uso de armas, visto que 7 feminicídios foram cometidos com armas de fogo e 21 com armas brancas. Além disso, 39,1% das violências contra mulheres ocorreram na capital fluminense.

O Rio também mantém a violência de gênero em patamares preocupantes, mesmo com a redução de 7,9%, de 633 casos para 583. Do total, 181 crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Foram 105 mortes de mulheres entre feminicídio, homicídio e transfeminicídio, sendo 21, a maioria, por faca ou outros objetos cortantes.

Fonte: Rede de Observatórios da Segurança

Outro dado crítico é a vulnerabilidade institucional das vítimas

O boletim da sexta edição do relatório da Rede de Observatórios de Segurança expõe ainda que, das vítimas monitoradas, 524 não tinham medidas protetivas, evidenciando falhas no alcance das redes de amparo a essas mulheres. As agressões verbais e o cárcere privado, com 87 e 29 casos, respectivamente, completam esse ciclo de dominação que atinge todas as idades, com maior incidência de mortes na faixa de 40 a 59 anos, com 14 vítimas.

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Fonte: Rede de Observatórios da Segurança

Solução para esse quadro exige esforço de toda a sociedade

Projetos de reeducação para homens, como o realizado no presídio Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, mostram eficácia na redução da reincidência, por meio de um conjunto de estratégias, políticas públicas e programas focados em evitar que pessoas que já cometeram crimes voltem a cometê-los após o cumprimento da pena. Contudo, é primordialmente necessário garantir que as mulheres tenham direito à vida e que esse direito prevaleça sobre a barbárie da violência de gênero.

“Evocar a vida, em vez da morte, em um documento estatístico que compõe um perturbador inventário das violações”, afirmou Flávia Melo, autora do principal texto desta edição do relatório da Rede de Observatórios de Segurança. “Cumpre o papel paradoxal e necessário de romper as ‘máscaras silenciadoras’ e de amplificar vozes de denúncia e resistência que transbordam os números”.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/violencia-contra-mulher-rio-583-casos/

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