A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Nexus Fractus, para investigar o possível uso irregular de dados armazenados em sistemas restritos de órgãos públicos. A apuração busca esclarecer se informações protegidas foram acessadas para monitorar autoridades, empresários e outros cidadãos no Distrito Federal.
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A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), unidade vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor).
Durante a operação, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais autorizam a coleta de documentos, equipamentos e outros materiais que possam servir como prova no inquérito.
O nome da operação, Nexus Fractus, tem origem em duas palavras do latim. “Nexus” significa conexão ou vínculo, enquanto “fractus” pode ser traduzido como quebrado ou rompido.
Investigação começou após denúncia anônima
A apuração teve início após uma denúncia anônima apontar que uma empresa privada de investigação tem monitorado diferentes pessoas no Distrito Federal.
Entre os possíveis alvos estariam autoridades públicas, empresários e outros cidadãos. A suspeita é de que esse monitoramento tenha sido realizado com uso irregular de dados obtidos em sistemas restritos da administração pública.
Durante as diligências, surgiram indícios da participação de um policial civil aposentado que atualmente ocupa um cargo comissionado em uma empresa pública do Distrito Federal.
Por causa da função exercida, ele teria acesso a bases de dados institucionais, incluindo sistemas da própria Polícia Civil, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica.
Consultas teriam atingido autoridades e servidores
As investigações apontam que informações cadastrais de diferentes categorias de pessoas teriam sido consultadas nos sistemas. Entre elas estão empresários, policiais, jornalistas e servidores públicos.
Também teriam sido acessados dados de pessoas que atuam em gabinetes de parlamentares do legislativo distrital e federal, além de funcionários de órgãos do executivo local.
A apuração indica ainda consultas a informações de indivíduos com vínculo de parentesco com essas autoridades ou personalidades.
A suspeita é de que os acessos tenham sido realizados para fins particulares, ainda não identificados. Existe também a hipótese de que as informações tenham sido utilizadas em benefício de uma empresa privada vinculada ao investigado.
Polícia busca identificar extensão dos acessos
Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo reunir novos elementos de prova, identificar a extensão dos acessos realizados aos sistemas e esclarecer a finalidade do uso das informações.
A investigação também pretende verificar se outras pessoas participaram das ações investigadas.
O inquérito apura os crimes de violação de sigilo funcional qualificado e invasão de dispositivo informático qualificado, ambos relacionados ao uso indevido de informações protegidas e ao acesso irregular a sistemas digitais.

