Caso Rodrigo Crespo: três são condenados a 30 anos de prisão pela morte do advogado

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Os três réus acusados do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo foram condenados, na noite desta sexta-feira. De acordo com o juiz Cariel Bezerra Patriota, ficou definido 30 anos de reclusão para cada um dos réus. Leandro Machado da Silva, Cezar Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes responderam por cinco qualificadoras. Ao final da leitura das sentenças, as defesas manifestaram que irão decorrer da decisão.
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“Os elementos dos autos sugerem traços de frieza e periculosidade, evidenciados pelo monitoramento da vítima e pela menção a atividades de “limpeza” (homicídios mercenários). (…) A execução sumária operou-se, portanto, como um nefasto instrumento de controle mercadológico e como uma inequívoca mensagem de terror irradiada a todo o setor empresarial”, diz trecho da sentença.
Juri condena três pela morte do advogado Rodrigo Crespo
Walter Farias
De acordo com os promotores da Gaejuri, as informações recolhidas neste julgamento ajudarão no trabalho de outros casos. Além disso, a condenação de hoje foi um “grande golpe para organização criminosa” na qual eles fazem parte.
Promotor diz saber quem é o mandante
A polícia já teria pistas de quem seria o mandante da morte do advogado Rodrigo Crespo, assassinado a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. Foi o que afirmou, durante a sustentação no plenário, neste segundo dia do julgamento de três acusados de executar o crime, o promotor Bruno de Faria Bezerra. Segundo o promotor, as investigações já avançaram na identificação de quem teria ordenado o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo.
Ele, no entanto, não citou o nome do mandante do assassinato do advogado.
— Já sabemos quem é o mandante. Isso já está caminhando. É um crime com assinatura. Não precisava descarregar os 18 tiros, mas eles fizeram para deixar uma marca e mandar uma mensagem — disse o promotor.
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Reprodução
O segundo dia de julgamento dos réus começou, na manhã desta sexta-feira, no III Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. Na véspera, primeiro dia da sessão, foram ouvidas as 14 testemunhas previstas no processo — quatro indicadas pelo Ministério Público e dez pelas defesas. Uma delas, o delegado Rômulo Assis, que investigou o caso, afirmou que a vítima tinha interesse em abrir um ‘sport bar’ — uma casa de apostas — no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. O espaço funcionaria dentro de um clube de poker já existente na área. Para isso, buscava uma parceria para consolidação do negócio.
De acordo com Rômulo Assis, a vítima estava realizando estudos, escrevendo artigos sobre bets e pouco tempo antes do assassinato, chegou a providenciar uma viagem para uma feira do segmento.
Nesta sexta-feira, o julgamento entra na fase de debates entre acusação e defesa. O Ministério Público tem a palavra para fazer a acusação — o assistente de acusação poderá falar depois. Em seguida, é a vez de a defesa ser ouvida.
Após os debates, os jurados podem pedir esclarecimentos adicionais e ter acesso aos autos e aos instrumentos do crime. O Conselho de Sentença responderá a uma série de questões que vão decidir sobre absolvição ou condenação dos acusados. Em caso de condenação, após uma bateria de questionamentos, o juiz distribuirá aos jurados as cédulas que serão usadas para a votação. A decisão será tomada por maioria dos votos. Concluída a votação, o juiz dará a sentença.
Na abertura da sessão desta sexta-feira, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que o caso envolve pessoas ligadas a atividades criminosas organizadas.
— Essas pessoas não têm escrúpulos. Estamos falando de pessoas envolvidas com a máfia do cigarro, com o jogo do bicho e, quem tiver que ser, eles matam — disse o promotor.
O representante do Ministério Público também criticou as versões apresentadas pelos réus durante os interrogatórios realizados no primeiro dia de julgamento.
— As versões apresentadas pelos réus ontem foram completamente esdrúxulas — afirmou.
Manutenção do poder
Ainda em sua sustenção no plenário, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que os três réus fazem parte da organização criminosa comandada por Adilsinho. Além disso, o assassinato teria o intuito de beneficiar o grupo.
— O crime foi praticado para manutenção do poder da organização criminosa. E o Adilsinho é o patrão dos três réus — afirmou o promotor.
A defesa de Adilsinho nega qualquer participação no crime.
Como atuaram
O promotor utilizou mensagens trocadas entre os réus para tentar dmeonstrar ao júri que o grupo acompanhava os passos do advogado Rodrigo Marinho Crespo antes da execução. Segundo ele, os diálogos indicam que os acusados monitoravam a rotina da vítima e compartilhavam informações sobre seus deslocamentos.
O promotor também apresentou dados de localização do carro usado no crime para sustentar a tese de que os envolvidos mantinham contato com integrantes da organização criminosa ligada a Adilsinho. De acordo com a acusação, registros apontam que o veículo esteve na Barra da Tijuca no dia do assassinato.
Imagens de câmeras de segurança do Condomínio Saint Tropez mostram que Cezar Daniel Mondêgo de Souza saiu do carro dirigido por Eduardo Sobreira de Moraes e entrou em um dos apartamentos do prédio. Segundo o promotor, ele permaneceu no local por cerca de 23 minutos e deixou o edifício às 16h32.
O endereço é associado a Pedro Henrique Pinheiro Machado, citado em relatório da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) como alguém com vínculos com Adilsinho. Pedro já foi alvo da Operação Fumus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na qual apareceu como braço direito de Cláudio Coutinho, irmão de Adilsinho. O processo, no entanto, acabou sendo trancado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para o promotor, a parada no condomínio indicaria uma prestação de contas a Pedro Henrique, que atuaria como o “braço empresarial” da organização criminosa.
— Eles sempre iam para a Barra. Ele prestava contas de tudo o que fazia lá — disse.
Bruno de Faria Bezerra também afirmou que Leandro Machado da Silva teria assumido, dentro da organização criminosa, o espaço antes ocupado por Rafael Nascimento Dutra, conhecido como “Sem Alma”.
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/03/caso-rodrigo-crespo-tres-sao-condenados-a-30-anos-de-prisao-pela-morte-do-advogado.ghtml

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