CPI do Crime Organizado recorre ao STF contra decisão de Gilmar que suspendeu quebra de sigilo de empresa ligada a Toffoli

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Sessão da CPI do Crime Organizado do Senado — Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


A CPI do Crime Organizado, por meio da Advocacia do Senado, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações S.A., alvo de investigação da comissão. O recurso foi protocolado após a decisão liminar do magistrado que anulou a medida aprovada pelo colegiado.

O pedido foi apresentado na forma de agravo interno, instrumento que leva a discussão ao colegiado da Corte. Na peça, os advogados do Senado afirmam que a CPI possui poderes de investigação equivalentes aos de autoridades judiciais e pode determinar a quebra de sigilos quando houver indícios que justifiquem a medida.

A quebra de sigilos da Maridt havia sido aprovada pela comissão no fim de fevereiro, a partir de requerimento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Os parlamentares autorizaram o acesso aos dados da empresa no período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026, no âmbito das apurações sobre possíveis conexões entre o Banco Master e estruturas suspeitas de lavagem de dinheiro.

A empresa tem como sócios José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF Dias Toffoli. O caso ganhou repercussão após vir à tona a participação da empresa em negócios ligados ao resort Tayayá, no interior do Paraná, que foi vendido a um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na decisão proferida na última sexta-feira, Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo ao considerar que a CPI extrapolou os limites de sua investigação. Para o ministro, o requerimento aprovado pelos parlamentares apresentou “narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas”, sem indicar elementos concretos que vinculassem a empresa aos fatos investigados.

Segundo Gilmar, a medida representaria uma “providência invasiva” sem fundamentação adequada e configuraria desvio de finalidade por parte da comissão parlamentar. O magistrado também afirmou que o ato poderia resultar em uma “verdadeira devassa” na esfera privada dos investigados.

Com a decisão, o ministro determinou que órgãos e empresas que receberam pedidos de informação da CPI se abstenham de encaminhar dados da Maridt à comissão. Caso algum material já tenha sido enviado, ele determinou que os dados sejam imediatamente destruídos, sob pena de responsabilização administrativa e penal.

Em nota, a CPI afirmou que as investigações seguem em curso e que a comissão continuará adotando medidas para esclarecer os fatos apurados.

A CPI do Crime Organizado foi criada para apurar a atuação e o financiamento de facções criminosas e milícias no país, incluindo possíveis conexões financeiras e estruturas de lavagem de dinheiro.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/04/cpi-do-crime-organizado-recorre-ao-stf-contra-decisao-de-gilmar-que-suspendeu-quebra-de-sigilo-de-empresa-ligada-a-toffoli.ghtml

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