O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), queria uma “força de elite” armada, com direito a pistolas novinhas entregues em cerimônia oficial. O plano era liberar policiais militares para o combate ao crime, enquanto a Guarda Municipal assumiria missões ostensivas. Só que a Polícia Federal jogou um balde de água fria: disse que a iniciativa era ilegal, militarizada demais e fora da competência da prefeitura. Resultado? Os agentes temporários, treinados e preparados para patrulhar, agora vão passar os dias atrás de mesas e computadores, fazendo serviço administrativo. E não foi por falta de aviso da oposição, que tentou – sem sucesso – barrar o projeto na Câmara Municipal. A mudança foi publicada no Diário Oficial desta sexta (21).
Dinheiro público no lixo, missão frustrada
A Força Municipal Burocrata já nasceu com um orçamento gordo: R$ 280,4 milhões reservados para 2026, o equivalente a 36% de todo o caixa da Guarda Municipal. Mas enquanto a tropa tradicional terá apenas 1% de aumento no orçamento, a “elite burocrata” criada por Paes engole recursos sem transparência, denuncia a oposição. Quase 40% vai para pessoal, 36% para “apoio operacional” (categoria genérica que pode incluir armas, viaturas ou qualquer coisa), e 14% para “capacitação” sem metas claras. É muito dinheiro para uma tropa que, na prática, não pode cumprir a função para a qual foi criada.
A PF bateu o martelo
O parecer da Polícia Federal foi direto: criar uma força armada municipal invade a competência das polícias militares e da União. Guardas municipais têm caráter civil, voltado para proteção preventiva de bens e serviços. Nada de perfil militarizado. O decreto publicado no Diário Oficial reforça que apenas guardas concursados poderão portar armas. Temporários ficam restritos a funções administrativas. Chefias também só poderão ser ocupadas por servidores de carreira.
Burocracia em vez de patrulha
Na prática, a prefeitura mudou por decreto o que a Câmara havia aprovado em lei: antes, temporários poderiam ser treinados, armados e até receber bônus salarial. Agora, viraram escriturários de luxo. Servidores temem insegurança jurídica, já que o decreto contraria a lei complementar 282/2025. Enquanto isso, bases da Força Municipal estão previstas para Leblon, Piedade e Campo Grande, mas com agentes que não poderão portar armas.
Paes armou um problema
O prefeito gastou milhões para montar uma tropa que não pode usar armas, não pode patrulhar e não pode chefiar. O resultado é uma força de elite que virou força de papelada. A oposição já havia alertado: seria desperdício de dinheiro público. Agora, com a decisão da PF, o alerta virou realidade. Paes armou um problema — e quem paga a conta é o carioca.

