Polícia investiga se suspeitos por execução de capoeirista são os mesmos que tentaram matar vítima dois dias antes

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Mestre Paulinho sabiá registrou em delegacia que homem havia tentado o atacar dias antes de morrer — Foto: Reprodução redes sociais


A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) investiga se suspeitos que tentaram disparar tiros contra o mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza, o Paulinho Sabiá, na última segunda-feira, em um bloco de carnaval, no bairro de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, são as mesmas pessoas que o executaram, na noite da última quarta-feira. Sabiá foi morto por disparos de uma arma, 48 horas após o primeiro ataque, num dos cruzamentos mais movimentados do município, no mesmo bairro onde ocorreu a primeira ação criminosa.

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A vítima estava no banco do carona de um carro, dirigido pela namorada, quando uma motocicleta parou ao lado do veículo, no cruzamento das Ruas Sete de Setembro e Lemos da Cunha, em Icaraí. Um homem que estava na garupa sacou uma arma e fez os disparos. A namorada do capoeirista não foi atingida pelos tiros e conseguiu sobreviver. A ação aconteceu numa noite em que havia muita gente nas ruas comemorando o título de campeã de carnaval de 2026 da Unidos de Viradouro, escola de samba localizada em Niterói.

O mestre de capoeira Paulinho Sabiá: assassinado em Niterói — Foto: Reprodução

Investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) tentam agora encontrar câmeras de segurança que tenham flagrado os dois crimes. Já se sabe que homens em uma motocicleta teriam participado das duas ações. Na primeira ação criminosa, na segunda-feira de carnaval, a arma usada um por um suspeito teria falhado. Ele fugiu em uma moto.

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— A namorada dele contou que eles estavam caminhando quando ela teve a impressão de ter ouvido uma arma falhar. Como era carnaval, achou que pudesse ser brincadeira porque tinha muita gente. Mas, depois, viram uma pessoa subir numa motocicleta. E registraram o caso na delegacia. Infelizmente, a gente não conseguiu evitar que o pior acontecesse — explicou Adriana Possobom, irmã do capoeirista.

O corpo de Paulo Cesar da Silva Souza deverá ser cremado, nesta sexta-feira, no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói. A irmã de Sabiá disse que a vítima era uma pessoa sem inimigos e muito querida por todos. Ela afirmou não saber o que pode ter motivado o assassinato.

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— Meu irmão não tinha inimigos. Nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 1980, quando a capoeira era uma coisa até um pouco agressiva, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdido. Não sabemos quem pode ter feito isso com ele. O crime foi uma brutalidade — lamentou Adriana.

Segundo Adriana, nesta quinta-feira o irmão iria à casa dela visitar o pai, que completa 97 anos.

— Ele ficou de ir lá em casa para ver nosso pai que faz 97 anos— disse.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). De acordo com a Polícia Civil, a perícia no local do crime foi feita. As equipes fazem diligências para apurar a autoria do crime.

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Sabiá começou sua jornada no mundo da capoeira nas ruas de Niterói. Ele se formou no tradicional Grupo Senzala. Foi discípulo de José Tadeu Carneiro Cardoso, o mestre Camisa e, em 1989, fundou o Grupo Capoeira Brasil ao lado do ator e capoeirista Beto Simas, o mestre Boneco, e de mestre Paulão Ceará. Ao longo dos anos, a organização que se tornou uma das maiores do mundo e atua em dezenas de países.

A morte do capoeirista gerou repercussão nas redes sociais. O perfil Grito Marcial postou: “Hoje a capoeira está de luto. No despedimos de Mestre Paulinho Sabiá, um dos grandes pilares da capoeira no Rio de Janeiro e no Brasil (…). Mestre Paulinho ajudou a estruturar um trabalho que ultrapassou fronteiras, formando milhares de alunos, mestres e contramestres, levando a cultura brasileira para diversos países e consolidando a capoeira como instrumento de transformação social”.

Procurada, a Polícia Civil confirmou que Paulinho Sabiá havia registrado o ataque que sofreu na 77ªDP (Icaraí), na última segunda-feira. Segundo a corporação, o caso foi remetido para ser apurado pela DHNSGI, encarregada de investigar o assassinato do capoeirista.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/02/20/policia-investiga-se-suspeitos-por-execucao-de-capoeirista-sao-os-mesmos-que-tentaram-matar-vitima-dois-dias-antes.ghtml

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