O Carnaval 2026 ganhou contornos políticos e jurídicos após o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí. A escola apresentou a ala “neoconservadores em conserva”, que satirizava grupos ligados ao conservadorismo e à defesa da “família tradicional”. A encenação, transmitida nacional e internacionalmente, gerou forte reação da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), que classificou o episódio como “intolerância religiosa”.
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (17), a entidade destacou que a liberdade religiosa é um direito fundamental protegido pela Constituição e por tratados internacionais, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. “Qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”, afirmou a OAB-RJ.
A polêmica da ‘família em conserva’
Na ala em questão, integrantes atravessaram a Sapucaí vestidos como latas de alimentos, com rótulos estampando a expressão “família tradicional” e imagens de pai, mãe e filhos. Máscaras representando pastores evangélicos e fazendeiros reforçaram o ataque da escola a setores conservadores que, segundo a justificativa oficial, atuam em oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Reação da oposição e evangélicos
Parlamentares da oposição e líderes religiosos reagiram com força. Senadores e deputados como Magno Malta (PL-ES), Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) acusaram a escola de zombar da fé cristã e acionaram a Procuradoria-Geral da República, alegando ridicularização pública e possível crime de intolerância religiosa.
Nas redes sociais, oposicionistas lançaram uma trend em resposta: publicaram imagens geradas por inteligência artificial de suas próprias famílias estampadas em rótulos de latas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, afirmou que “a esquerda zomba da família, alicerce do Brasil, e evidencia a perda da sintonia com o povo que trabalha, crê em Deus e educa seus filhos”.
Contexto mais amplo
O episódio da Acadêmicos de Niterói reforça a tensão entre liberdade artística e respeito às crenças religiosas, reacendendo o debate sobre os limites da sátira no maior espetáculo popular do país.

