PF apura se servidor que acessou dados de mulher de Moraes tem conexões políticas

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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (dia 17) uma investigação para apurar o suposto vazamento de informações da Receita Federal de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A ação deve ajudar a rastrear os reais objetivos das eventuais violações de sigilo de integrantes da Corte e seus parentes, se havia algum caráter político ou se eram de alguma outra natureza, como interesses puramente financeiros.
Os dados iniciais à disposição da Corte, no inquérito presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, não permitiam chegar a conclusões maiores. Moraes foi informado pela Receita que havia sido identificado acesso à declaração de Viviane Barci de Moraes, advogada que é esposa do ministro, por um servidor do Serpro (a empresa de dados do governo federal) cedido à Receita e que atua no Rio de Janeiro.
Embora tenha prerrogativa de sancionar o servidor que fez acesso indevido, o Fisco tem limitações para investigar mais profundamente os aspectos criminais, como se houve recebimento de dinheiro, se agiu sob ordens de um mandante ou se possui conexões políticas.
Em uma varredura preliminar no órgão, não houve indicações de que haveria intenção política, mas, dadas as limitações, da Receita, essa parte da investigação cabe à polícia.
Com autorização judicial, a PF pode quebrar sigilos telefônico e telemáticos e aprofundar eventuais conexões do caso ou se trata-se de um episódio de “bisbilhotice” com intenções financeiras de alguém.
Além desse caso relativo à esposa de Moraes, a Receita está rastreando acessos aos dados de mais de uma centena de pessoas ligadas aos ministros do Supremo. O objetivo é criar um “mapa completo” de acessos. Alguns relatórios parciais produzidos pela Receita já foram enviados à Corte e a conclusão total está prevista para o final do mês. Também foi identificado acesso indevido a dados de pelo menos um filho de ministro da Corte.
Nessa auditoria interna abrangente estão sendo rastreados os CPFs de familiares dos ministros (ascendentes e colaterais) nos 80 sistemas. Informações relativas aos filhos e cônjuges dos ministros, nessas apurações, já foram repassadas pela Receita ao STF e ainda faltariam outros parentescos, como irmãos.
Em nota, a Receita Federal do Brasil disse que não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário. “Além dos procedimentos no âmbito do inquérito, noticiados hoje, com base em informações prestadas pela própria Receita Federal do Brasil, há prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente”, diz a nota.
O texto lembra que em 12 de janeiro desde ano, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos 3 anos. “O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa”, diz.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/02/pf-apura-se-servidor-que-acessou-dados-de-mulher-de-moraes-tem-conexoes-politicas.ghtml

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