Nada de samba no pé. O ex-marqueteiro João Santana, responsável por campanhas vitoriosas de Lula e Dilma, classificou como um “tiro no pé” o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em vídeo nas redes sociais, Santana avaliou que a iniciativa pode gerar um “cenário de soma negativa”, em que todos saem perdendo, ampliando o desgaste político do governo.
Segundo ele, o carnaval é mais eficaz para a crítica e a irreverência do que para a construção de imagem institucional. “Carnaval se presta mais para a demolição do que para a construção de imagem de político”, afirmou, destacando riscos de repercussão negativa em regiões estratégicas do Sudeste e entre o eleitorado evangélico.
Sinal amarelo no Planalto
Nos bastidores, setores do PT e do governo demonstram preocupação com a exploração do desfile pela oposição e com possíveis questionamentos jurídicos sobre promoção antecipada de candidatura. A Advocacia-Geral da União orientou ministros e presidentes de estatais a não participarem da homenagem, reforçando uma postura cautelosa.
Lula determinou que integrantes do Executivo só compareçam ao evento se arcarem com despesas próprias, evitando associação institucional direta. A exceção é a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que confirmou presença como destaque em carro alegórico.
O ‘efeito Janja’
A participação da primeira-dama, entusiasta da homenagem, gera apreensão entre aliados. Sem ocupar cargo formal, Janja tem forte presença em agendas culturais e já protagonizou episódios de má repercussão política. Nos bastidores, auxiliares resumem o sentimento com a expressão: “Há sempre receio com o ‘efeito Janja’”.
Enredo e bastidores
O desfile, intitulado “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, contará com a presença de Janja, Marcelo Freixo e Anielle Franco. A ala dedicada ao presidente será composta por familiares, amigos e integrantes do grupo de advogados Prerrogativas.
Apesar da expectativa de aplausos, há temor de vaias e de rebaixamento artístico da escola, o que poderia ampliar o desgaste político. Para Santana, espetáculos populares dificilmente se transformam em celebração controlada de imagem pessoal sem provocar reação.

