O lançamento da pedra fundamental do Plaza Maricá Shopping, na última sexta-feira (30), serviu também de palco para um discurso econômico do prefeito Washington Quaquá sobre o fundo soberano de Maricá, considerado hoje a principal reserva financeira do município.
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Durante a fala, o prefeito afirmou que, no passado, recursos bilionários do fundo poderiam ter sido direcionados ao Banco Master, mas que a operação teria sido impedida.
“Então, lá no passado, a, a, o malandro que veio de Brasília pra cá, Renato, tu sabes quem eu tô falando, tava negociando botar o fundo soberano de Maricá no banco Master. Master! Nós entramos e ‘não bota que esta merda, todos os nossos amigos do mercado financeiro tão dizendo que esta merda vai quebrar, não façam isso, não façam isso!’. Os nossos dois bilhões iam pro Master, se a gente não intervém.” Disse.
Como os recursos eram aplicados
O fundo soberano de Maricá foi estruturado ao longo da gestão do ex-prefeito Fabiano Horta, com recursos principalmente dos royalties do petróleo. A estratégia inicial priorizava investimentos considerados conservadores, com alocação em instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, modelo voltado à preservação do capital e segurança financeira.
Nova estratégia: investir na própria cidade
Segundo Quaquá, o modelo atual mudou. Os recursos do fundo passaram a ficar sob gestão da Maricá Global Invest, empresa criada pelo município para atuar em investimentos estratégicos.
A proposta, de acordo com o discurso, é usar o dinheiro não apenas como reserva, mas como instrumento direto de desenvolvimento econômico local, com participação em empreendimentos estruturantes, como o Plaza Maricá Shopping e o complexo turístico-residencial Maraey.
A lógica defendida pelo prefeito é tratar Maricá como uma “empresa”, usando o capital acumulado para impulsionar geração de empregos, indústria, turismo e arrecadação futura.
Investimento com potencial — e risco
A mudança, no entanto, também altera o perfil de risco dos recursos. Diferentemente das aplicações financeiras tradicionais em bancos públicos, investimentos em grandes empreendimentos dependem de uma série de fatores para gerar retorno, como a conclusão das obra; as condições do mercado imobiliário e turístico; a capacidade de atrair público, empresas e investidores e o cenário econômico nacional e internacional.
Ou seja, o retorno tende a ser de médio e longo prazo e está atrelado ao desempenho dos próprios projetos.
Fundo no centro do debate político
O tema do fundo soberano acabou se tornando um dos pontos centrais do discurso. De um lado, ele representa a poupança construída com receitas extraordinárias do petróleo. De outro, agora passa a ser apresentado como motor de investimento direto na economia local.
Ao citar o caso do Banco Master como exemplo de risco evitado e, ao mesmo tempo, defender a aplicação em grandes projetos na cidade, o prefeito colocou em pauta duas visões sobre o uso do dinheiro público: preservação financeira versus aposta em empreendimentos estruturantes para alavancar o desenvolvimento de Maricá.

