Desabamento deixa ao menos 200 mortos em mina controlada por milícia no Congo

Tempo de leitura: 3 min
A mina, onde trabalham garimpeiros artesanais, está localizada a cerca de 70 quilômetros da grande cidade de Goma — Foto: Emmet Livingstone/AFP


O desabamento de uma mina de coltan controlada pelo grupo armado antigovernamental M23 na cidade de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo (RDC), causou ao menos 200 mortes e deixou 20 feridos, informaram um porta-voz e diversas testemunhas nesta sexta-feira.

Rubaya, que produz entre 15% e 30% do coltan mundial, caiu nas mãos do M23 em abril de 2024. Devastada por conflitos há 30 anos, a região leste da República Democrática do Congo detém entre 60% e 80% das reservas mundiais desse mineral, do qual se obtém o tântalo, essencial para a fabricação de equipamentos eletrônicos modernos.

A mina, onde trabalham garimpeiros artesanais, está localizada a cerca de 70 quilômetros a oeste da grande cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte e também sob controle do M23 desde janeiro de 2025.

Segundo informações iniciais, parte da colina na área de mineração, que se estende por várias dezenas de quilômetros quadrados, se desprendeu na tarde de quarta-feira. Outro deslizamento de terra ocorreu na manhã de quinta-feira.

“O morro desabou e matou pessoas”, disse à AFP Eraston Bahati Musanga, governador da província oriental de Kivu do Norte, nomeado pelo M23, que estava presente no local.

“Alguns corpos foram encontrados”, acrescentou, sem fornecer números, mas mencionando um número possivelmente elevado de mortos.

A AFP não conseguiu confirmar o número total de vítimas com fontes independentes na noite de sexta-feira.

“Choveu, ocorreu o deslizamento de terra e arrastou pessoas. Algumas foram soterradas e outras ainda estão nos poços da mina”, descreveu Franck Bolingo, um garimpeiro entrevistado no local pela AFP.

Na sexta-feira, dezenas de garimpeiros estavam nas encostas do vasto depósito, cavando a terra com pás simples, segundo imagens da AFP.

Vestidos com camisetas sem mangas e botas de borracha (no caso dos mais bem equipados), homens e mulheres, alguns carregando sacos pesados ​​amarrados à cabeça com panos, continuaram trabalhando nas minas após o desabamento, em troca de rendimentos geralmente modestos.

Segundo especialistas da ONU, o M23 estabeleceu em Rubaya “uma administração semelhante à de um Estado”, criando, por exemplo, um “ministério encarregado da exploração mineral” que emite “licenças para mineradores e operadores econômicos”.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/01/31/desabamento-deixa-ao-menos-200-mortos-em-mina-controlada-por-milicia-no-congo.ghtml

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *