A denúncia do vereador Daniel Marques (PL) caiu como uma bomba em Niterói: a prefeitura contratou neste mês de janeiro a Organização Social Avante Social para gerir dez Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade, ao custo de R$ 6 milhões. Até aí, seria apenas mais um contrato milionário. O problema é que a OS está sob investigação da Polícia Federal na operação “Copia e Cola”, em Sorocaba, por suspeita de fraude em licitações. E, como se não bastasse, o pacote de serviços inclui nada menos que raquetes de beach tênis, frescobol e tabuleiros de xadrez para a população em situação de rua.
O milagre da recreação social
Daniel Marques ironiza as prioridades: enquanto milhares de pessoas vivem em condições de miséria crescente nas ruas de Niterói, a prefeitura aposta que o caminho da reinserção social passa por esportes de praia e jogos de tabuleiro. É como se a fome pudesse ser driblada com uma raquetada de frescobol e o desemprego fosse resolvido com um xeque-mate. A ironia é inevitável: não tem teto, mas tem raquete e tabuleiro.
Indicações políticas e fantasmas do passado
O contrato prevê mais de 130 vagas de emprego que, segundo Marques, serão preenchidas por indicação política. Enquanto isso, ele argumenta que concursados da saúde, da guarda municipal e da educação seguem esperando convocação. O vereador relembrou ainda o escândalo da Emusa, quando mais de 150 cargos fantasmas foram descobertos — caso que ele próprio foi um dos denunciantes, ao lado do vereador Douglas Gomes, também do PL. Para Marques, a “farra” das OS “promete ser ainda maior”.
O histórico da Avante Social
A OS escolhida pela prefeitura não é exatamente uma “estrela da transparência”. Em Sorocaba, a Avante Social foi alvo da Polícia Federal por suspeita de participar de um esquema de contratos fraudulentos. Agora, em Niterói, ela assume a gestão de serviços voltados justamente para os mais vulneráveis. A pergunta que Daniel Marque faz é: quem ganha com isso? Porque, ao que tudo indica, não parece ser a população em situação de rua.
Denúncia de ‘jogo sujo’
Enquanto a cidade enfrenta o crescimento da população de rua, a prefeitura parece acreditar que a resposta está em esportes de praia. O vereador Daniel Marques promete continuar denunciando o que chama de “farra com o dinheiro público”. Mas, para o cidadão comum, fica a sensação de que Niterói entrou em um campeonato surreal: quem precisa de comida, ganha raquete; quem precisa de emprego, vê vagas virarem – quem sabe – moeda política; e quem precisa de dignidade se depara com mais um escândalo.

