A notícia da morte do artista plástico argentino Fernando Fazzolari, divulgada ontem, ganhou novos contornos nas últimas horas. Inicialmente tratada apenas como um falecimento, sem maiores detalhes, a ocorrência passou a ser investigada pela Justiça como um possível homicídio. O corpo do artista foi encontrado em seu apartamento, no bairro portenho de Montserrat, amarrado a uma cadeira, e apresentava sinais de que a morte havia ocorrido havia vários dias.
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As informações foram confirmadas ao jornal La Nacion por fontes judiciais e policiais. Fazzolari vivia em um edifício localizado na avenida de Mayo, na altura do número 1100. Segundo dados preliminares, o corpo foi encontrado por um dos filhos do artista, e a cena era incompatível com uma morte natural.
— Fazzolari estava amarrado a uma cadeira, por isso consideramos que se tratou de um homicídio. Não está claro se o mataram ou se ele morreu — disse um investigador.
De acordo com fontes policiais consultadas pelo jornal argentino La Nacion, “anteontem [na segunda-feira passada], agentes da Comisaría Vecinal 1B da Polícia da Cidade foram acionados para um edifício da avenida de Mayo, na altura do número 1100, por um homem que denunciou que, ao não receber resposta do pai às mensagens e ligações, decidiu ir até seu domicílio e o encontrou morto”.
“A vítima tinha 76 anos e apresentava um avançado estado de decomposição. Não foram observados objetos faltantes nem sinais de arrombamento. A Justiça determinou a intervenção da Divisão de Homicídios”, acrescentaram as fontes, que informaram ainda que os investigadores analisam imagens de câmeras de segurança e outros elementos para reconstruir os últimos movimentos da vítima.
Paralelamente, um familiar de Fazzolari relatou o clima de incerteza vivido pela família e classificou o caso como “um crime horrendo e sem que nenhuma porta tenha sido arrombada”.
A investigação está a cargo do promotor Pablo Turano, que, em conjunto com detetives da Polícia da Cidade de Buenos Aires, tenta reconstituir as últimas horas de vida do artista. Segundo fontes judiciais, o exame preliminar da autópsia não chegou a uma conclusão definitiva sobre a causa da morte, mas indicou que o óbito ocorreu entre 48 e 72 horas antes de o corpo ser encontrado.
— O motivo do crime não está claro. Em princípio, o roubo estaria descartado, porque no apartamento do artista não faltaria nada — disse ao La Nacion um detetive envolvido no caso.
Fontes do processo explicaram que a principal linha de investigação neste momento é a análise de gravações de câmeras públicas e privadas, com o objetivo de identificar pessoas que entraram e saíram do edifício e mapear os últimos deslocamentos do artista.
Nascido em Buenos Aires, em 1949, Fernando Fazzolari construiu uma trajetória que conciliou arte e atuação empresarial. Iniciou sua formação artística em 1969, ao estudar pintura com Jorge Demirjián, e, dois anos depois, passou a se dedicar ao desenho sob orientação de Julio Pagano. Sua obra foi exibida em inúmeras exposições individuais e coletivas, na Argentina e no exterior, em cidades como São Paulo, Santiago do Chile, Montevidéu, Bogotá, Cidade do México, Nova York, Berlim e Paris.
Além da produção artística, Fazzolari desenvolveu projetos de renovação urbana e criou cenografias para peças de teatro e óperas. Em 2002, o Museu Nacional de Belas Artes apresentou uma retrospectiva dedicada a duas décadas de seu trabalho, exposição que consolidou sua relevância no cenário da arte contemporânea argentina.
Interessado pela cultura chinesa, aprofundou-se no estudo da caligrafia do país asiático sob a orientação de Zhong Chuanmin, também conhecido como Pablo Zhong. Ao longo da carreira, recebeu prêmios como o Primeiro Prêmio da Bienal Internacional de Valparaíso, em 1985, o Prêmio da Bienal Latino-Americana de Arte sobre Papel, em 1986, e o Prêmio Günther, em 1989.
No meio empresarial, presidiu a IATASA por mais de cinquenta anos. Em nota, a empresa o descreveu como um líder próximo, criativo e respeitado, destacando sua capacidade de ouvir, gerar confiança e manter vínculos duradouros.
O Museu Nacional de Belas Artes também manifestou pesar pela morte de Fazzolari e solidariedade à família e aos amigos, ressaltando sua contribuição ao longo de mais de meio século e a importância de sua obra para a arte argentina.

