O brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, foi condenado à prisão perpétua na Irlanda pelo homicídio da ex-namorada Bruna Fonseca nesta sexta-feira. O assassinato aconteceu no dia primeiro de janeiro de 2023.
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O advogado de Pacheco, Ray Boland, disse que o cliente não iria recorrer da decisão. Ele acrescentou que o cliente desejava expressar remorso pela “devastação” causada à família. Segundo a emissora irlandesa RTE, a juíza Siobhan Lankford descreveu Bruna Fonseca como “uma jovem excepcional” e um “ser humano completo”.
— Ela veio para o seu país movida pela esperança de construir um futuro melhor. Bruna era forte. Mesmo vivendo um relacionamento (com Pacheco) caracterizado pela manipulação constante, ela sempre tentou resolver problemas que não eram seus — disse Izabel Fonseca, irmã mais velha da vítima.
Os dois estavam na mesma festa de Ano Novo no dia 31 de dezembro de 2022. Por volta de 3h do dia primeiro de janeiro, Bruna e Miller foram para um apartamento alugado por ele na rua Liberty Street para fazer um videochamada para ver o cachorro dos dois, que estava no Brasil. No entanto, minutos depois, moradores das redondezas começaram a escutar gritos vindo do apartamento.
Às 5h15, Pacheco ligou para um amigo e disse: ‘Me perdoe, não há como voltar atrás agora”. Ele também entrou em contato com outro amigo e mostrou o corpo de Bruna Fonseca deitado em meio a cobertores pelo celular.
A Guarda Siochána, como é chamada a polícia irlandesa, foi acionada por volta das 6h30 do dia primeiro de janeiro para atender a uma ocorrência no número 5 da rua Liberty Street, no centro de Cork. Ao chegarem no local encontraram a brasileira desacordada.
Segundo o promotor, Pacheco disse à polícia que Bruna Fonseca teria começado a agredi-lo. Ele teria, então, tentado contê-la com um movimento que disse ter visto em filmes. Em meio a briga, os dois caíram no espaço entre a cama e a mesa. O brasileiro disse que os dois “lutaram como homens” e que ele “queria que a briga acabasse”.
O brasileiro havia se mudado para a Irlanda em novembro de 2022 para ficar próximo da então namorada, que estava no país europeu há mais tempo. Dias depois da chegada de Miller, o casal terminou. Eles já tinham passado um período separados no início daquele ano. O casal era de Minas Gerais.
A polícia irlandesa teve acesso ao telefone do brasileiro. Segundo relatou o sargento Brian Barro aos jurados, Miller Pacheco enviou à irmã uma mensagem no dia 19 de dezembro afirmando que havia tomado uma decisão quanto ao que faria. Ele pediu para que a irmã cuidasse do seu cachorro.
Cinco minutos depois dessa troca de mensagens, ele teria acessado páginas de sites com nomes como “Como matar alguém em três segundo”, “Como lutar bem com facas” e “Quais são as condições necessárias para matar alguém?”. O advogado do acusado, Ray Bolland, afirma que Miller chegou nessas páginas pois pretendia se matar. Segundo Barron, o brasileiro pesquisou sobre os custos envolvidos no transporte de um corpo ao Brasil. O policial afirmou também que não é possível indicar quais termos de busca levaram Miller a encontrar essas páginas.
Entre a sua chegada na Irlanda no dia 18 de novembro e a morte de Bruna Fonseca, o brasileiro mandou cerca de 2 mil mensagens para a ex-namorada. No dia seis de dezembro, ele disse que a brasileira gostava de vê-lo “irritado e furioso”. Dez dias depois, em nova mensagem, Miller disse que “havia sido trocado como lixo”. Em resposta, Bruna disse que “não havia mais amor” e “nenhuma admiração”.
Mensagens semelhantes seguiram-se por dias. No dia 16 de dezembro, o brasileiro acusou a ex-namorada de arruinar a sua vida.
“Você realmente quer fugir e desaparecer e me deixar sozinho sem nada. Fiquei sem nada, vendi tudo e agora não tenho nada, realmente nada. É isso que você quer para mim, é isso que você quer para mim, o pai do seu filho [o cachorro D’eagle], é isso que você quer, é isso que eu mereço, certo?”, disse Miller em uma mensagem de áudio.
“Eu não menti quando disse que estava feliz por você estar vindo (…) você tem vivido essa experiência, as coisas acontecem na máxima velocidade e intensidade”, respondeu Bruna em uma mensagem ao ex. “Mas eu não te amo e não posso ficar com alguém por pena, por isso preciso me distanciar porque para você qualquer sinal de ajuda é uma luz no fim do túnel”.

