A Polícia Civil do Rio prendeu um homem suspeito de comandar um esquema de falsificação e venda de atestados médicos herdado do pai. Identificado como Adílio Campos Chagas, ele atuava na Rocinha, na Zona Sul do Rio. No esquema, os interessados podiam escolher tanto a data quanto a quantidade de dias de afastamento do trabalho. Na residência de Adílio, os agentes apreenderam diversos carimbos com dados falsos de médicos.
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As investigações tiveram início em 2024, na 25ª DP (Engenho Novo), após uma médica denunciar o uso indevido de seus dados na emissão de um atestado falso. Na ocasião, ela foi procurada por uma empresa para confirmar a autenticidade do documento. O suspeito chegou a ser identificado, mas o pedido de prisão não foi deferido à época.
No fim do ano passado, a mesma médica voltou a descobrir que seus dados estavam sendo utilizados no esquema criminoso. Um novo registro foi feito, e os investigadores novamente chegaram a Adílio Campos Chagas. Ele foi preso no último fim de semana, mas a investigação só foi concluída pela corporação nesta sexta-feira.
De acordo com o inquérito, o esquema funcionava há cerca de cinco anos e incluía também a falsificação de receitas médicas, com carimbos de hospitais públicos e particulares. O contato entre os clientes e o Adílio era feito por meio de aplicativos de mensagens. Os valores cobrados variavam, segundo as investigações, conforme o período de afastamento: R$ 25 por um dia e R$ 75 por cinco dias.
Durante a apuração, os policiais identificaram uma mulher que admitiu ter comprado um atestado falso. As mensagens trocadas durante a negociação ajudaram a comprovar o funcionamento do esquema.
Veja a troca de mensagens
Adílio Campos Chagas foi intimado a prestar esclarecimentos e compareceu à delegacia do Engenho Novo, onde confessou o crime. Em depoimento, ele afirmou que o pai já atuava na venda de atestados falsos e que, após a morte dele, assumiu a atividade utilizando um talonário deixado pelo genitor.
Entre os documentos apreendidos, um atestado era idêntico ao modelo utilizado pela Prefeitura do Rio e atribuía a consulta a um hospital da Zona Sul. A investigação não apontou envolvimento das unidades de saúde, indicando que a falsificação dos papéis timbrados fazia parte da fraude conduzida exclusivamente pelo criminoso.
*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef

