Em pleno ano eleitoral, a prefeitura resolveu testar a paciência dos moradores da Barra Olímpica com um aumento inesperado no IPTU. A reclassificação da Taxa de Coleta de Lixo fez os carnês saltarem de R$ 347 para R$ 695, praticamente o dobro, sem que o valor dos imóveis tivesse mudado. O resultado foi imediato: indignação generalizada, manchetes negativas e pressão popular que obrigaram o governo a dar marcha à ré.
O recuo forçado
Diante da má repercussão, a prefeitura anunciou que vai corrigir os carnês e restabelecer a faixa anterior da taxa. Uma nova guia será emitida até o dia 30 de janeiro, numa tentativa de apagar o incêndio político. A justificativa oficial fala em “correção de distorção”, mas o timing não deixa dúvidas: em ano de eleição, ninguém quer carregar o peso de um aumento de imposto.
A promessa quebrada
Quando a Barra Olímpica foi oficializada após os Jogos de 2016, a promessa era clara: não haveria aumento de taxas para os moradores. O episódio mostrou que a palavra dada virou letra morta, e só a pressão popular conseguiu reverter a medida. A sensação é de que os contribuintes foram usados como cobaias em um laboratório tributário.
O impacto para os moradores
Quem já acessou as guias terá de esperar pela versão corrigida. O prazo para pagamento da primeira parcela ou cota única continua sendo 6 de fevereiro, com desconto de 7% para quem quitar de uma vez. A confusão deixou um rastro de desconfiança: se a prefeitura erra na cobrança agora, quem garante que não virá outro “ajuste surpresa” no futuro?
O aumento que virou escândalo
O roteiro é clássico: governo anuncia aumento, população se revolta, imprensa repercute, e o “erro técnico” é corrigido às pressas. A matemática eleitoral é simples: menos votos, mais recuos. A Barra Olímpica ganhou o título de vitrine da incompetência tributária — e os moradores, de figurantes involuntários nesse espetáculo de improviso.
Entenda o caso
Antes de se tornar oficialmente a Barra Olímpica, a área ao redor dos equipamentos dos Jogos de 2016 era composta por diferentes sub-bairros e estava enquadrada na faixa 4 da TCL, equivalente a 70 UFIR (R$ 347). Neste ano, porém, os imóveis foram “promovidos” para a faixa 7, com cobrança de R$ 695. Não houve valorização, não houve milagre imobiliário — apenas uma canetada burocrática que dobrou a conta e transformou os moradores em vítimas de um experimento tributário.

