“No! No! What the fuck? Shame! Shame!!! Oh my fucking God ! What did you do? You are fucking criminals! You are fucking insane!”
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Os gritos desesperados que ouvimos no vídeo são de uma testemunha do crime absurdo numa rua coberta de neve e ladeada de casinhas, em Minneapolis. Loucos, criminosos. Vergonha. Esses são os policiais de imigração de Trump, o ICE. Mataram com tiros, um deles na cabeça, uma americana de 37 anos, Renee Nicole Good, mãe de três filhos.
Esse assassinato à luz do dia não tem a importância de ameaças protagonizadas por Trump, o presidente que transformou o bullying em política de Estado, interna e externamente. Não vou falar aqui de Venezuela, Groenlândia, Canadá, Panamá, México, Cuba, China, Rússia. Ou petrodólar. Quero falar de medo. E de Renee Nicole Good.
Vi e revi o vídeo do momento do crime. É cristalino e óbvio que Renee tentou fugir, apavorada, ao ser cercada por homens armados de cara tampada, com um brutamontes tentando abrir à força a porta de seu carro. Em nenhum momento pareceu tentar atropelar os agentes de Trump. Deu ré e avançou, fazendo uma curva para se livrar deles e seguir adiante. Para escapar com vida e ir pra casa. Levou tiros no rosto. Um horror.
Eu, que tenho evitado assistir a vídeos “com conteúdo sensível”, decidi ver. E rever. De todos os ângulos. Porque Trump chamou Renee de “terrorista doméstica”. Alegou “legítima defesa” do agente federal, tadinho, que deu “tiros defensivos” para se proteger do carro “transformado em arma”. O prefeito de Minneapolis chamou a versão oficial de “bullshit”.
Renee era premiada pela Academia de Poetas Americanos e guitarrista amadora. Estudou escrita criativa na Virginia. Formou-se na Faculdade de Artes e Letras. Havia se mudado para Minneapolis no ano passado, vinda de Kansas City.
Pais e ex-marido negam que ela fosse uma ativista. E se fosse? Nada justifica. Renee foi para a Irlanda do Norte em missões juvenis cristãs. Nunca enriqueceu. Trabalhou como assistente odontológica e numa cooperativa de crédito, mas nos últimos anos foi principalmente dona de casa.
Por que essa dona de casa estava ali, com o carro na avenida, no local de uma operação do ICE? Exercia seu direito de cidadania. Se engajou como voluntária para monitorar o trabalho dos agentes e evitar excessos, coibir condutas impróprias e garantir respeito aos direitos legais. Quanta ironia.
“Quando não está escrevendo, lendo ou falando sobre literatura, ela faz maratonas de filmes e arte bagunçada com sua filha e seus dois filhos”, diz biografia resumida pelo prêmio de poesia de 2020. O texto parece ter sido removido da mídia.
Então, estamos assim. Todos. Com medo. A América do Sul, o Caribe, a Europa, o Canadá. Essa potência nuclear está desgovernada, nas mãos de um homem que nem age por ideologia, mas por capricho, ganância e narcisismo. Que chama venezuelanos e imigrantes de “pessoas feias”, arrancando risadas de xenófobos.
Uns o chamam de fascista. Imperialista. Outros, de ditador. Maluco. Alguns o chamam de palhaço. Mas palhaços nos fazem sorrir. Trump, hoje, domina os EUA e o mundo pelo medo e pela pressão econômica.
Professores e cientistas nas universidades americanas estão paralisados pelas ameaças de cortes de recursos. Congressistas democratas e republicanos estão emudecidos. Todo mundo sente que perde se bater de frente com Trump.
O assassinato de Renee Good, justificado por Trump com mais uma fake news, destila sentimentos perniciosos. O pânico, o terror e a impotência diante de um regime violento e autoritário, que viola limites constitucionais. Não se trata mais de mera retórica ou ameaças vazias.
Neste ano de 2026, salve-se quem puder. E que a esperança vença o medo.

