Polícia localiza novo ‘resort’ do traficante Peixão na Baixada Fluminense; ação tem três presos

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A piscina no 'resort' que, segundo a polícia, Peixão construía em Nova Iguaçu — Foto: Reprodução


Um novo “resort” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP), foi localizado pela Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira. O espaço fica na localidade conhecida como Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e estava em fase de construção. Três suspeitos foram presos e foi realizada a apreensão de um fuzil. A ação é da Força-Tarefa Cerco Total, composta pelas delegacias especializadas da Baixada, e é mais uma fase da Operação Torniquete.

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Na construção localizada e apontada como o novo “resort” de Peixão há com uma churrasqueira e uma piscina — aparentemente ainda sem uso. O espaço tem pichações com a expressão “exército de Israel” e desenhos da Estrela de David, símbolo religioso usado pelo traficante.

Participam da ação agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Automóveis da Baixada Fluminense (DRFA-BF) e da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Baixada Fluminense (DRFC-BF). O foco das ações da força-tarefa formada pelas unidades é o combate às facções criminosas que atuam na região.

A Operação Torniquete está em sua segunda fase, que tem como objetivo reprimir roubo, furto e receptação de cargas e de veículos, crimes que financiam atividades das facções, disputas territoriais e ainda garantem pagamentos a parentes de integrantes dos grupos criminosos — detidos ou em liberdade. Desde setembro de 2024, segundo a Polícia Civil, mais de 740 pessoas foram presas e houve apreensão de cargas e veículos avaliados em quase R$ 45 milhões. O bloqueio de bens e valores ultrapassa R$ 70 milhões.

Com 79 anotações criminais, Peixão é chefe do tráfico nas cinco comunidades da Zona Norte da capital que compõem o Complexo de Israel: Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. Além de ordenar homicídios e cobrar taxas de comerciantes, o bandido, que se apresenta como evangélico, é acusado de intolerância religiosa. Denúncias afirmam que ele chegou a proibir o uso de branco pelos moradores e destruiu terreiros nas favelas que domina.

Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, é chefe do tráfico no Complexo de Israel — Foto: Reprodução

Para marcar seu território, o criminoso costuma usar a bandeira de Israel e frases da Bíblia pintadas nos muros. Na Cidade Alta, o topo de uma caixa d’água ostentava uma Estrela de Davi em néon, símbolo do domínio do criminoso. A estrela foi derrubada neste mês durante uma operação da Polícia Civil e Militar no complexo.

O perfil violento do bandido é conhecido pelos investigadores. Segundo a polícia, ele costuma punir seus inimigos com a morte e é um obstinado quando se trata de infiltrados. Ele foi o primeiro a introduzir o uso de drones para vigilância em suas áreas, a fim de acompanhar a movimentação da polícia e dos concorrentes.

Parentes detidos quando deixavam o Brasil

Em novembro de 2025, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou parentes de Peixão tentando seguir para a Bolívia. A abordagem ocorreu na BR-262, em Campo Grande (MS), após os agentes receberem informações da Polícia Civil. Os condutores transportavam a esposa, os três filhos e um sobrinho do traficante.

A polícia tinha informações de que Peixão tentaria fugir com a família e poderia estar em um dos veículos. Outra possibilidade investigada é a de que ele já estivesse fora do país, aguardando os familiares. Os detidos foram levados para a delegacia e, depois, liberados. Peixão não foi encontrado.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/01/07/policia-localiza-novo-resort-do-traficante-peixao-na-baixada-fluminense-acao-tem-tres-presos.ghtml

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