Revitalizar o Centro do Rio não é apenas uma escolha urbanística — é uma decisão estratégica para o futuro da cidade. Como presidente da comissão que conduziu a aprovação do novo Plano Diretor, acompanhei de perto o esforço coletivo para construir instrumentos capazes de reconectar o coração do Rio à vida cotidiana. O programa Reviver Centro é um dos pilares desse movimento e precisa ser constantemente aperfeiçoado para atingir seu pleno potencial.
Depois do sucesso das duas fases iniciais, um dos pontos fundamentais dessa agenda é a revisão dos incentivos urbanísticos e fiscais. Eles foram essenciais para destravar os primeiros investimentos, mas precisam ser calibrados com inteligência. O desafio agora é garantir que esses benefícios continuem atraindo empreendedores, sem perder de vista o equilíbrio fiscal do município e a sustentabilidade de longo prazo da política pública.
Outro eixo indispensável é a avaliação dos parâmetros urbanísticos, especialmente no que diz respeito à ampliação das áreas receptoras. Ajustar esses parâmetros significa permitir maior flexibilidade para novos projetos, estimulando a ocupação residencial e mista. É preciso entender que o Centro não pode ser apenas um polo comercial esvaziado à noite — ele deve ser um território vivo, com moradia, serviços e circulação constante de pessoas com a devida requalificação dos espaços públicos.
Nesse contexto, a análise da planta geral de IPTU dos imóveis do Centro também se impõe como medida estratégica. Corrigir distorções, atualizar valores e alinhar a tributação à realidade do mercado são passos importantes para tornar a região mais competitiva e atrativa. Não se trata apenas de arrecadação, mas de criar um ambiente mais justo e coerente para quem quer investir e morar no Centro.
O novo Plano Diretor oferece ferramentas robustas para esse processo. Os instrumentos de gestão do uso e ocupação do solo — como incentivos construtivos, flexibilização de parâmetros e mecanismos de estímulo à requalificação urbana — já demonstram que é possível induzir transformações concretas no território. O Reviver Centro é, na prática, a materialização dessa visão moderna de cidade.
Reviver o Centro é mais do que recuperar prédios — é recuperar a alma do Rio. É trazer de volta a moradia, a diversidade, a economia pulsante e a ocupação qualificada de um território que sempre foi símbolo da nossa identidade. Seguiremos trabalhando para aperfeiçoar esse projeto, com responsabilidade, diálogo e compromisso com uma cidade mais dinâmica, inclusiva e preparada para o futuro.
RAFAEL ALOÍSIO FREITAS é o primeiro-secretário da Câmara Municipal do Rio, presidente da Comissão do Plano Diretor e da Comissão de Acompanhamento do Plano Diretor
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/reviver-centro-reequilibrar-rio/

