Um cenário incomum marcou a rotina do Hospital Ferreira Machado (HFM) nesta sexta-feira (20). Referência em trauma e atendimentos de emergência de alta complexidade, a unidade viveu uma verdadeira corrida contra o tempo para salvar duas vidas: a de uma jovem gestante e a de sua filha, em um parto extremamente delicado, por ter sido realizado em meio ao quadro grave de traumatismo craniano da mãe.
A paciente, grávida com cerca de 32 a 34 semanas de gestação, deu entrada na unidade após sofrer um acidente de moto na localidade de Farol, em um dia chuvoso. Ela estava na garupa do veículo, quando caiu e bateu a cabeça, sendo socorrida em estado crítico e com nível de consciência bastante rebaixado.
Diante da gravidade do quadro, a equipe médica precisou agir com rapidez. A jovem foi encaminhada para uma neurocirurgia de urgência, mas, devido à necessidade de posicionamento durante o procedimento e ao risco de sofrimento fetal causado pela compressão do útero, foi necessária a realização de um parto de emergência para preservar a vida da bebê.
A recém-nascida, uma menina, veio ao mundo em parada cardiorrespiratória, mas foi prontamente atendida pela equipe pediátrica, que conseguiu reverter o quadro. Após ser estabilizada, a criança foi transferida para o Hospital Plantadores de Cana (HPC), referência em atendimento neonatal, onde permanece sob cuidados especializados. Já a mãe segue internada no HFM, sob cuidados intensivos, e ainda deverá passar por novos procedimentos cirúrgicos.
O diretor clínico do HFM, Hugo Calomeni, destacou a complexidade da ocorrência e a rapidez na tomada de decisão. “Foi uma situação extremamente desafiadora, que exigiu uma resposta imediata e integrada de diversas especialidades. A paciente chegou em estado crítico, e precisávamos agir rápido para preservar duas vidas. A decisão pelo parto emergencial foi fundamental para garantir a sobrevivência da criança, sem perder de vista o cuidado intensivo com a mãe. Esse tipo de desfecho só é possível com uma equipe preparada e alinhada”, afirmou.
O médico Constantino Ferreira, que participou do atendimento, explicou os fatores que levaram à decisão pelo parto. “Era um caso muito delicado. Uma paciente jovem com traumatismo craniano grave e rebaixamento importante do nível de consciência. A prioridade inicial foi a neurocirurgia, mas o posicionamento necessário poderia comprometer a circulação e a oxigenação do bebê, levando a um sofrimento fetal severo. Por isso, optamos pelo parto de emergência. Se não fizéssemos isso, o risco de o bebê não sobreviver seria muito alto. Conseguimos agir a tempo. Foi um esforço conjunto de toda a equipe”, relatou.
A pediatra da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), Renata dos Santos, ressaltou o trabalho integrado durante a reanimação da recém-nascida. “Houve um envolvimento total, desde o pronto-socorro até o centro cirúrgico e a UTI. Conseguimos restabelecer os batimentos e garantir uma chance maior de sobrevida. Foi um trabalho coletivo muito importante”, destacou.
*Com informações de Secom

